Marcos Santos | USP Imagens
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Conta de luz pode vir com bandeira vermelha em maio

Expectativa de especialistas no setor elétrico é que bandeira tarifária no mês que vem será amarela ou vermelha - patamar 1

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2018 | 19h27

A chegada de maio deve marcar também um aumento na conta de luz. A expectativa de especialistas do setor elétrico é de que a bandeira tarifária a ser acionada no mês que vem será amarela ou vermelha - patamar 1, o que corresponde a um aumento de R$ 1 ou R$ 3 na tarifa de energia a cada 100 kWh consumidos, respectivamente. Se confirmada, será a primeira mudança na bandeira tarifária neste ano. Desde janeiro, o País conta com a bandeira verde, em que não há cobrança adicional. O anúncio oficial será feito na próxima sexta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Especialistas consultados pelo Broadcast se dividem em relação a qual bandeira será acionada, se amarela ou vermelha, mas se mostram bastante convictos de que não será mantida a bandeira verde. Análise feita pela Comerc Energia indica uma probabilidade de 18% de manutenção de bandeira verde em maio, enquanto a perspectiva de bandeira amarela chega a 25% de bandeira amarela e a de bandeira vermelha - patamar 1 alcança 56%.

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"Não dá para ter certeza do que virá, mas a maior probabilidade é a bandeira vermelha patamar 1", resumiu o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos, explicando que a perspectiva leva em conta o nível de reservatórios das hidrelétricas do País e também o volume de água esperada para entrar ao longo do próximo mês, entre outros fatores relacionados a projeções de curto prazo, referentes ao mês atual e próximos 30 dias.

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"Considerando o que temos hoje de projeção de GSF (risco hidrológico, no jargão do setor) e de preço de energia, com tendência de alta em relação a abril, o que podemos dizer por ora é que vai sair da verde", disse a gerente de gestão da Delta Energia, Débora Mota. A casa também considera uma tendência maior de acionamento da bandeira vermelha - patamar 1. Mota salientou, no entanto, que uma leve alteração na previsão de déficit de geração hidrelétrica pode alterar a perspectiva para maior probabilidade de bandeira amarela.

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A casa trabalha com uma estimativa de GSF entre 93% e 95%, ou seja, uma produção hidrelétrica entre 5% e 7% abaixo da garantia física das usinas. "Se ficar um pouquinho acima disso, já vai para amarela", comentou a gerente. Ela também lembrou que a estimativa leva em conta uma expectativa de afluência "um pouco abaixo da média histórica" em maio.

O analista de mercado da Safira Energia, Lucas Rodrigues, por sua vez, trabalha com uma perspectiva mais provável de acionamento da bandeira amarela. Os cálculos da casa consideram que o GSF ficará em 95,1%. Mas ele reforça o entendimento de Mota, da Delta, de que há forte sensibilidade ao número final de risco hidrológico adotado. "Se cair para 93% a 94%, haverá acionamento da bandeira vermelha", afirmou.

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Rodrigues lembra que o mecanismo de acionamento da bandeira tarifária leva em conta não apenas o GSF como também o preço spot de energia, tecnicamente conhecido como Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). A Safira estima o PLD médio ponderado pela carga de cada submercado de R$ 195,86 por megawatt-hora (Mwh) para o Sistema Interligado Nacional (SIN). O valor leva em conta que o Norte ficará três semanas no valor piso da ordem de R$ 40/MWh, enquanto no Sudeste, principal centro de carga do País, o PLD vai superar os R$ 200/MWh.

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A própria Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), responsável pelo PLD, indicou no início de abril a perspectiva de que o PLD do subsistema Sudeste/Centro-Oeste ficar em torno de R$ 200/MWh a partir de maio, seguindo em tendência de alta nos meses seguintes.

O consultor da Thymos Energia Renato Mendes, trabalha com a perspectiva de um PLD na casa dos R$ 220/MWh no Sudeste/Centro-Oeste e um GSF na casa dos 94%, por isso considera a bandeira vermelha - patamar 1 a mais provável. "Mas está sutil e neste momento depende da vazão esperada para maio", reforçou. Ele lembrou, porém, que os dados mais recentes divulgados pela CCEE aos agentes de mercado indicaram um GSF entre 92% e 96%.

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Os fatores que influenciam a formação dos preços de energia, como dados de vazão e afluência esperada, são conhecidos nesta quinta-feira, durante reunião do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que discute o programa mensal de operação. Dados de GSF e PLD são anunciados na sexta-feira, pela CCEE.

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