Conta de telefone poderia ter queda maior

O câmbio baixo foi o principal motivo da redução nas tarifas de telefonia e se o IGP-DI tivesse sido mantido como indexador destes preços, a queda teria sido ainda maior. Um cálculo da Tendências Consultoria mostra que caso este indicador e a forma de cálculo da produtividade do setor tivessem disse sido mantidos a queda das tarifas teria sido de 1,1% - bem acima da faixa entre - 0,3759% e - 0,5134% autorizada ontem pela Anatel.A avaliação é de que a agência errou ao trocar o indicador pelo novo índice setorial, o IST. "Foi um grande erro a Anatel ter feito essa mudança de regras", disse ao Estado o analista de telecomunicações da Tendência Consultoria, Adriano Pitoli. A mudança começou a ser discutida há dois anos, depois que os IGPs subiram muito, refletindo a desvalorização cambial, e incharam os aumentos da telefonia.Na época, afirmava-se que o reajuste deveria ser feito com base nos índices de preços ao consumidor, que captam menos as variações do câmbio. Especialistas dentro e fora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula o IGP, explicavam na época que da mesma forma que este índice geral capta a desvalorização cambial, para cima, também seria influenciado pela valorização do real, pressionando para baixo os preços.Acontece que quando o câmbio ser valorizou, como agora, o índice foi trocado. Ou seja: o consumidor que pagou pela telefonia mais cara antes, com o real desvalorizado, agora não se beneficiou integralmente com a valorização do real e a redução dos IGPs. "A decisão foi ruim. Dissemos antes que a decisão seria um tipo no pé da Anatel", diz Pitoli.O reajuste definido nesta quarta-feira vai gerar uma contribuição de -0,01% ponto porcentual do IPCA de julho (em julho do ano passado, o reajuste da telefonia aumentou em 0,25 ponto a inflação do mês), estima a Tendência. Para o Instituto de Economia da UFRJ, o IPCA de julho ficará entre 0,30% e 0,40%. Já a Tendências tem uma projeção entre 0,25% e 0,30% para o mesmo mês. "Uma queda como essa ajuda no combate à inflação", diz o economista do IE/UFRJ, descartando que a redução foi técnica e não teve relação com interesses políticos em ano eleitoral.

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