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Richard Perry/The New York Times
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Contagem regressiva começa assim que cruzeiro de luxo atraca no porto

Manter um cruzeiro no mar a maior parte do tempo possível é essencial para sua lucratividade; conheça a logística e a rotina de um navio de luxo

Jad Mouawad, The New York Times

23 de março de 2015 | 15h39

Uma vez por semana, depois de viajar pelo Caribe, o cruzeiro Oasis of the Seas retorna ao porto em Fort Lauderdale, Flórida, para um dia de desembarque e embarque.

Assim como os aviões, que só fazem dinheiro quando estão voando, manter um cruzeiro no mar é essencial para sua lucratividade. Mas, em vez de desembarcar algumas centenas de passageiros aéreos, esse navio descarrega 6 mil pessoas, renova o estoque de suprimentos e recebe outros 6 mil passageiros - tudo isso num intervalo inferior a 12 horas.

A logística é essencial para o dia do desembarque e embarque, que é ao mesmo tempo o último dia de um cruzeiro marítimo e o primeiro dia da viagem seguinte, e representa o período mais exigente para os 2.140 tripulantes da embarcação. O Oasis atraca no porto aproximadamente às 6 da manhã, e parte novamente às 16h30. Nesse intervalo, mais de 12 mil malas precisam deixar o navio, as camas precisam ser feitas e os banheiros, limpos. Para que tudo fiquei pronto a tempo, o procedimento realizado parece uma mistura de pit stop de corrida com Arca de Noé.

"O dia do embarque é frenético", disse Rodolfo Corrales, gerente de compras e controladoria do navio, cujo emprego consiste em manter a embarcação plenamente abastecida para a jornada. "O movimento é enlouquecedor."

Nascida nos anos 1970, a indústria moderna de cruzeiros marítimos inclui atualmente mais de 400 navios oferecendo cruzeiros pensados para diferentes gostos e faixas de preço - desde navios de luxo que navegam pelo Mediterrâneo até cruzeiros de férias para as massas no Mar do Caribe, que continua sendo o destino mais popular entre os passageiros. No ano passado, mais de 17 milhões de passageiros participaram de cruzeiros na América do Norte, ante 7 milhões em 2000, de acordo com a Associação Internacional de Cruzeiros.

O grupo representante da indústria espera que a indústria volte a crescer este ano após um desempenho morno nos dois anos mais recentes. A procura diminuiu após o encalhe do Costa Concordia, da Carnival, em 2012, tragédia que resultou em 32 mortos. No ano seguinte, o Triumph, da Carnival, teve uma pane nos motores em alto mar.

O Oasis, que pertence à Royal Caribbean, atende aos turistas de classe média - há um cassino, um teatro aquático para apresentações de mergulho, e uma produção da peça Cats no estilo da Broadway - recentemente, na alta temporada de inverno, no dia de desembarque e embarque, o Oasis estava cheio de famílias, aposentados e jovens casais em busca de um alívio para o frio.


Antes de partir para sete dias de viagem pelas Bahamas, o Oasis precisa repor um estoque que poderia satisfazer uma pequena cidade. Isso inclui 24 mil garrafas de cerveja e 1.400 garrafas de champanhe. O Oasis raramente recebe mantimentos durante as viagens, apenas reabastecendo os tanques de combustível quando visita os portos.

O pão é assado a bordo, e 2 mil toneladas de água doce são produzidas por dia no sistema de dessalinização por osmose. Um sistema de tratamento cuida de todo o esgoto produzido pelos passageiros e tripulantes. Tal sistema, que processa 1.200 toneladas de esgoto por dia, usa bactérias para decompor a sujeira e, em seguida, sistemas mecânicos e químicos removem os sólidos e, por fim, a luz ultravioleta é usada como desinfetante. A água resultante é limpa o bastante para o consumo humano, mas é descartada no mar. Os sólidos remanescentes são mantidos em tanques especiais para secagem e incineração.

Quase todo o lixo é reciclado ou reaproveitado a bordo. Garrafas, latas e composto são esmagados e congelados em cômodos refrigerados para impedir a proliferação de bactérias. O calor dos motores é usado para aquecer a água da lavanderia e dos chuveiros; a condensação do ar-condicionado também é usada como fonte de água para a lavanderia.

Perto de uma das portas de carga da doca, o gestor de inventário do navio, Lincoln Brooks, mantém os olhos no relógio. Ao redor dele há uma série de caminhões, empilhadeiras e carrinhos movimentando-se em ritmo constante. Cada passo é cronometrado para evitar gargalos dentro das estreitas cozinhas enquanto doze compartimentos refrigerados são lentamente preenchidos com legumes e verduras frescas, incluindo 6,8 toneladas de batatas, 4 toneladas de tomates e cerca de 9 mil latas de refrigerante.

"Preciso manter tudo em movimento", disse ele. "Não posso correr o risco de ser chamado pelo capitão." A chuva pode tornar o trabalho mais perigoso e lento, mas aquela era uma manhã de tempo bom, e Brooks parecia relaxado.

A contagem regressiva para a partida também começa dentro do navio. Uma pequena legião de funcionários trabalhava na artéria principal, um corredor de serviço conhecido como I-95 que percorre quase o comprimento inteiro do navio, permitindo rápido acesso a qualquer seção.

A Royal Caribbean construiu o maior terminal para navios de cruzeiro em Port Everglades, Fort Lauderdale, para lidar com o fluxo de passageiros do Oasis e seu gêmeo, o navio Allure. Para evitar a formação de longas filas no controle de imigração, as partidas são escalonadas no intervalo de algumas horas.

Os passageiros começam a deixar suas cabines às 7 da manhã e precisam deixar o navio até as 10h30. O principal gargalo envolve o malabarismo com as bagagens. Os passageiros recebem etiquetas coloridas para suas malas, que são apanhadas na véspera da partida do navio.

Cerca de 15 ou 30 minutos após a saída do último passageiro, os recém-chegados começam a embarcar em um dos dois corredores de acesso conectados ao terminal em terra.

O Oasis costuma receber resenhas positivas nos sites consultados pelos interessados em fazer um cruzeiro. Os passageiros tendem a elogiar o processo de embarque, embora atribuam notas mais baixas às visitas a portos e praias. Recentemente, o navio recebeu quatro estrelas no CruiseCritics.com pela viagem completa; a maioria dos resenhistas deu a nota máxima para o processo de embarque. /Tradução de Augusto Calil

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