Contágio de emergentes será limitado, dizem analistas

Economias como a do Brasil estariam bem mais protegidas do que em crises anteriores.

Marina Wentzel, BBC

18 de janeiro de 2008 | 07h05

Bolsas de países emergentes poderão continuar a cair devido à volatilidade causada por temores de que a economia americana entre em recessão, mas não sofrerão como em crises passadas devido à boa situação de suas economias, avaliam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.Mercados de capitais emergentes têm registrado forte queda no começo de 2008 com os rumores de uma possível recessão americana e também com os efeitos retardatários da crise de crédito imobiliário do ano passado.Desde o Ano Novo, a Bovespa sofreu êxodo de capital estrangeiro de mais de R$ 1,88 bilhão. Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo, esse valor equivale quase à metade de todo o dinheiro retirado por investidores estrangeiros no ano passado, que foi de R$ 4,2 bilhões.Na quarta-feira, as bolsas da Ásia sofreram forte queda. Em Hong Kong, somente as ações de grandes companhias, as bluechips, caíram 5,37%, no que foi a maior baixa desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Xangai também encerrou no negativo em 3,28%.Outros países como Rússia, Turquia e México também tiveram expressivas contrações neste janeiro e agora observadores questionam se a baixa nas bolsas se traduzirá em implicações para as economias como um todo.RemanejamentoPara Alfredo Coutino, economista sênior da agência de ratings Moody's, a retirada do dinheiro de mercados emergentes foi um caso de "remanejamento"."Muitos investidores americanos não têm liquidez para pagar suas dívidas causadas pela crise de crédito no mercado imobiliário e precisam se desfazer de investimentos para conseguir levantar fundos", afirma. "Por isso, vendem o que tem aplicado em emergentes."Coutino diz que não há razão para pânico entre as novas economias, em especial na América Latina. "Os grandes países da região têm fortes mercados consumidores internos, o que deixa as economias relativamente protegidas da queda de exportações aos Estados Unidos.""Além disso, os governos de Brasil, Chile, Argentina e México estão com políticas econômicas pragmáticas e não há indícios de mudança de rumo", acrescenta.VolatilidadeShelly Shetty, analista da agência de ratings Fitch, disse à BBC Brasil que acredita que a retirada de investimentos estrangeiros dos emergentes é causada pela natural "volatilidade" do mercado e não se trata de uma fuga consistente causada pela insegurança dos investidores."O tipo de contágio que ocorre nos emergentes se restringe às oscilações do mercado financeiro", diz Shetty. "Desde que os países em desenvolvimento, como por exemplo o Brasil, continuem com políticas econômicas pragmáticas não há motivo para maiores crises. Os papéis emergentes são bons investimentos."No caso da América Latina, "os governos já não estão terrivelmente endividados como no passado", acrescenta a analista. "Em 2008, esperamos ver a venda de títulos públicos no valor de US$10 bilhões na região, isso é uma forte queda em relação aos US$25 bilhões registrados em 2005."ContágioJustine Thody, analista da Economist Intelligence Unit, afirma que a recente retração nos emergentes não vai necessariamente se prolongar ao longo do ano resultando em uma crise séria."Eu não acredito que o contágio dos emergentes seja inevitável, ainda que, para o Brasil, 2008 não venha a ser um ano com a mesma grande quantidade de investimentos vistos em 2007", disse à BBC Brasil."Mas o mercado financeiro brasileiro está essencialmente bem, pois o sistema bancário é liderado por empresas nacionais que não foram diretamente expostas à crise do crédito americano." "Além disso, não há indícios de que a demanda por commodities brasileiras em outras regiões emergentes como a China venha a diminuir", concluiu Thody.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.