Contaminação por aftosa pode ter sido criminosa

O Serviço de Inteligência do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) iniciou hoje investigações sobre a possibilidade de crime no surgimento do foco de febre aftosa na Fazenda Vazezzo, situada em Eldorado, Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai, no extremo sul do Estado. O trabalho policial foi solicitado pelo secretário estadual de Produção, Dagoberto Nogueira Filho, que acredita nessa hipótese. "Alguém plantou o vírus no rebanho ou houve algum problema com a vacina", disse.Ele explicou que a dona da propriedade rural, Maria Vazezzo, cumpre rigorosamente as medidas preventivas contra as doenças do gado. "Eu conheço toda a família. Eles fizeram o que poucos pecuaristas fazem no Estado. Contrataram veterinários para fazer a imunização contra aftosa e têm certificado dos profissionais que realizaram essa tarefa. A maioria utiliza peões, dispensando despesas com especialistas". O secretário comentou que a mesma desconfiança existe do lado paraguaio, onde as autoridades consideram o caso "no mínimo surpreendente".O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues viajou para Eldorado para ver de perto os trabalhos de combate e controle da febre aftosa na Fazenda Vazezzo. Ele conversou com as autoridades sanitários de Mato Grosso do sul, do Paraguai e pecuaristas dos cinco municípios que tiveram seus rebanhos interditados devido ao problema constado segunda-feira desta semana na Vazezzo.Ao desembarcar, evitou qualquer comentário sobre uma ação criminosa em torno do acontecimento, dizendo que "até que seja provado o contrário, vou encarar o fato como um acidente". Em seguida, anunciou que já estão destinados que R$ 3,5 milhões em verba, acrescentando que "este valor deve ser elevado na próxima semana". Para o ministro o foco de febre aftosa não foi conseqüência de qualquer tipo de procedimento negligente por parte da União. O trabalho de defesa sanitária teria R$ 79 milhões em todo o País, mas apenas R$ 12 milhões deste total foram usados. Entretanto, o secretário nacional de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel, em entrevista separada do ministro, admitiu que a redução dos recursos poderia ter influenciado no resultado visto em Mato Grosso do Sul. Sobre a ação do DOF no caso, disse que "não acredito em nada, é preciso esperar o fim da investigação".

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