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Contas cambiais melhores atenuam as incertezas

Persistiu, em novembro, o forte ajuste cambial presente ao longo do ano, segundo o relatório do setor externo do Banco Central (BC). Com um déficit mensal na conta corrente do balanço de pagamentos de US$ 2,9 bilhões, superior apenas aos de junho e agosto, e de US$ 56,4 bilhões nos primeiros 11 meses do ano, US$ 36,1 bilhões menor que o de igual período do ano passado, as contas cambiais ajudam a aliviar o ambiente pesado que cerca a evolução macroeconômica.

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2015 | 02h55

Mas ainda que a melhora das contas externas decorra da combinação de real desvalorizado e recessão, manter distante a ameaça cambial é relevante quando o Brasil acaba de ser rebaixado pelas agências de classificação de risco, perdendo o grau de investimento.

Metade da melhora das contas decorreu da balança comercial, que saiu de um déficit de US$ 6,6 bilhões entre janeiro e novembro de 2014 para um superávit de US$ 11,6 bilhões em igual período de 2015. Os serviços explicam quase toda a melhora restante, com a diminuição do déficit com as viagens internacionais, os transportes e o aluguel de equipamentos. A remessa de lucros e dividendos diminuiu US$ 11 bilhões entre 2014 e 2015, com a piora dos resultados das empresas.

Como proporção do PIB, o déficit na conta corrente deverá cair de 4,31% em 2014 para 3,48% em 2015, estima o BC. Mais importante, o déficit foi totalmente financiado pelos investimentos diretos de US$ 69,9 bilhões em 12 meses, até o mês passado – situação que deverá se manter neste mês e estender-se em 2016, quando o BC calcula um déficit corrente de 2,66% do PIB.

A piora da classificação do País pelas agências de rating, que também alcançou as empresas brasileiras, afetou a rolagem das dívidas no exterior, que se limitou a 72%, em novembro, muito abaixo dos 287% de novembro de 2014. Entre janeiro e novembro, o Brasil ainda rolou 103% das dívidas, ante 155% em igual período de 2014. 

Mas o nível de reservas cambiais reduz o risco de sustos. As reservas de US$ 368,9 bilhões em novembro compensam a piora de outros indicadores, como o da relação entre o serviço da dívida e exportações de bens e serviços (de 25,3% para 50,8%) e o PIB (de 2,8% para 6,2%). 

A perspectiva para o balanço de pagamentos em 2016 é favorável, embora volte a depender da recessão – o BC projeta que as exportações apenas se estabilizem no nível baixo atual, enquanto as importações persistam em forte queda.

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