Contas da Petrobrás seguem pressionadas

Para analistas, reajuste nos combustíveis anunciado na quinta-feira não é suficiente e empresa pode até precisar de uma nova capitalização

ANDRÉ MAGNABOSCO, KARIN SATO, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2014 | 02h03

O mercado financeiro considerou insuficiente o reajuste dos preços dos combustíveis da Petrobrás diante do tamanho do investimento que a empresa tem pela frente e da dívida, que já ultrapassa R$ 300 bilhões. Desde ontem, a gasolina está 3% mais cara e o óleo diesel, 5%, nas refinarias. Os porcentuais são baixos, avaliaram analistas, que apostam agora na necessidade da petroleira recorrer a uma nova capitalização.

"As novas condições nos fazem visualizar menos chance de melhora para o balanço da Petrobrás, o que eleva a probabilidade de um aumento de capital em 24 meses de 70% para 80%", afirmaram os analistas Gustavo Gattass e Andres Cardona, do BTG Pactual.

Para a equipe do Goldman Sachs, liderada por Felipe Mattar, a estatal tem uma "decisão complexa" a tomar daqui para a frente. Para manter o fluxo de caixa em níveis sustentáveis, em um provável cenário de enfraquecimento do real frente ao dólar, a petroleira teria de escolher entre elevar os preços, cortar os investimentos ou buscar financiamento a custos mais altos. Além de ter um alto endividamento em moeda americana, o câmbio pesa sobre as suas contas por causa da importação de petróleo e de derivados.

A empresa de classificação de risco Moody's rebaixou a nota da Petrobrás no mês passado, de Baa1 para Baa2, o que contribui para que a empresa pague mais por qualquer recurso que vá captar no mercado. O grau de investimento, que posiciona as ações da petroleira no grupo dos mais seguros do mercado, está mantido. Mas denúncias de corrupção e a demora em alinhar os preços internos aos do mercado internacional vêm alterando o humor dos investidores e a Petrobrás já acumula perda de valor de mercado de 32,44% no último mês.

O reajuste concedido ontem vai gerar um volume de caixa equivalente a apenas 2% da dívida total da companhia, de R$ 307,7 bilhões ao final de junho, segundo o analista do Citi, Pedro Medeiros. Somente no primeiro semestre deste ano, o endividamento da estatal cresceu R$ 40 bilhões, praticamente sete vezes o ganho esperado com a alta dos preços da gasolina e do diesel. O JPMorgan projeta um aumento de geração de caixa de cerca de 2% para cada 1% de elevação nos preços do diesel e da gasolina. Para o banco, altas de 3% para a gasolina e de 5% para o diesel decepcionaram e terão impacto importante nas contas.

Ações. O reajuste anunciado na quinta-feira teve impacto direto nas ações da Petrobrás ontem. Com o reajuste considerado mais tímido que o esperado, os papéis abriram em queda na Bovespa. Ao longo do dia, porém, os papéis mudaram de rumo, embalados pelo maior apetite dos investidores estrangeiros. No final do pregão, as ações ON contabilizaram ganhos de 1,62% e as PN, de 1,49%. / COLABOROU FERNANDA NUNES

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