Contas de luz sobem em um momento crítico

Em uma fase delicada para a economia, que vem em lento crescimento e que ainda se ressente dos efeitos da greve dos caminhoneiros, os reajustes das tarifas de eletricidade autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a região atendida pela Eletropaulo Metropolitana – de 15,14% para residências e comércio e de 17,67% para a indústria – surpreenderam os analistas, que não esperavam aumento superior a 10%.

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08 Julho 2018 | 06h19

Os reajustes anuais são contratuais e refletem as consequências da prolongada seca que afeta os reservatórios do Sudeste, que vem pressionado os custos de geração. Tais aumentos de tarifas podem vir a significar um elevação da taxa de inadimplência no mercado e um peso adicional nos custos da indústria que luta para recuperar-se, devendo igualmente ter um certo impacto sobre a inflação.

A distribuidora Eletropaulo, atualmente controlada pela italiana Enel, atende 7,2 milhões de consumidores na capital paulista e na região metropolitana, onde está localizado o maior parque industrial do País. As indústrias locais têm procurado compensar o desaquecimento do mercado interno com exportações, favorecidas pela alta do dólar, apesar da volatilidade do câmbio. Mas, naturalmente, com maior dispêndio com eletricidade – considerando que, além do aumento decretado, as contas de luz estão hoje sujeitas à bandeira vermelha 2 (acréscimo de R$ 5,00 por 100 kWh consumidos) –, as indústrias paulistas terão seus custos onerados, o que pode comprometer sua competitividade internacional.

Se isso vai afetar o alto desemprego na região é uma questão em aberto. O que se tem observado é que muitos consumidores, mesmo pagando as contas de luz, e buscando economizar energia, essencial para qualquer atividade, deixam de cumprir outros compromissos, o que acaba influindo sobre o índice geral de inadimplência.

Quanto à inflação, o impacto do aumento de tarifas da Eletropaulo é estimado entre 0,16 e 0,19 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), não devendo alterar as projeções correntes de uma taxa acumulada de 4,2% em dezembro de 2018. A melhor expectativa é que, com as chuvas de fim de ano, as contas voltem a ser balizadas pela bandeira amarela, baixando as contas de luz.

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