Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Com arrecadação fraca, governo tem déficit de R$ 8 bilhões em maio

Resultado baixou o superávit primário no acumulado de janeiro a maio para R$ 6,62 bi, o menor em 17 anos para o período, o que dificulta ainda mais a meta de economia para pagamentos de juros

Adriana Fernandes, Rachel Gamarski e Lorena Rodrigues, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2015 | 16h30

Refletindo forte queda da arrecadação, as contas do governo central registraram um déficit primário de R$ 8,05 bilhões em maio. Com o novo déficit - o segundo registrado em 2015 - o superávit primário acumulado no ano do governo central teve queda real de 67,5%, para R$ 6,62 bilhões, dificultando ainda mais a tarefa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de cumprir a meta fiscal fixada para todo o setor público de R$ 66,3 bilhões (1,1% do Produto Interno Bruto) em 2015. O resultado acumulado nos cinco primeiros meses do ano é o pior para o período desde 1998. O governo central reúne as contas do Tesouro, INSS e Banco Central.

Analistas consultados pelo AE Projeções esperavam um déficit entre R$ 3,600 bilhões a R$ 9,750 bilhões de maio, com mediana negativa de R$ 6,000 bilhões.

Para alcançar a meta estipulada apenas para o governo central, que é de R$ 55,2 bilhões, será preciso um resultado positivo de R$ 45,58 bilhões de junho a dezembro.

O resultado de maio mostrou uma queda real de 29% do superávit primário em relação ao mesmo mês do ano passado. Este é o segundo pior resultado para o mês desde o início da série histórica, que tem começo em 1997.

Em maio, as receitas caíram 0,5% e as despesas recuaram 0,3%. O déficit das contas do Governo Central foi antecipado na semana passado pelo Broadcast.

Nos cinco primeiros meses do ano, o superávit primário sofreu uma queda de 29% em comparação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a maio, as receitas do governo central recuaram 3,5% e as despesas aumentaram 0,2%.

Em 12 meses, o governo central acumula um déficit de R$ 32,2 bilhões - o equivalente a 0,57 % do PIB.

Com a dificuldade de reação da arrecadação, que em todos os meses deste ano surpreendeu negativamente o governo - cenário que ficou mais claro a partir de maio - o governo começou a se mobilizar internamente para mudar a meta fiscal do ano. Embora não admita oficialmente, o ministro Joaquim Levy já articula com lideranças políticas a mudança da meta e avalia o melhor momento de iniciar publicamente esse processo. Os senadores envolvidos nas negociações defendem o início do processo em agosto. Em entrevista esta semana, o ministro já deu as primeiras sinalizações das dificuldades que o governo enfrenta para o cumprimento da meta.

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