Marcos Santos/USP Imagens
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Contas do governo têm rombo de R$ 19,8 bi em julho, informa o Tesouro Nacional

Resultado foi o terceiro pior desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 1997; apesar disso, Tesouro diz que dados mostram uma 'melhora fiscal efetiva'

Célia Froufe e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2021 | 15h16
Atualizado 30 de agosto de 2021 | 19h06

BRASÍLIA - Com o terceiro pior resultado desempenho das contas públicas para meses de julho desde 1997 em mãos, o Tesouro Nacional conseguiu enxergar na trajetória do ano uma melhora na área fiscal. Dados divulgados nesta segunda-feira, 30, revelaram que o governo central, que reúne Previdência Social e Banco Central, além do próprio Tesouro, gastou R$ 19,8 bilhões a mais do que arrecadou no mês passado. Para o Tesouro, no entanto, os dados mostram que o Brasil apresenta uma “melhora fiscal efetiva” e que “avanços estão em curso”.

Relativamente ao mesmo mês de 2020, quando as despesas com medidas de combate aos impactos econômicos da pandemia de coronavírus estavam a pleno vapor, realmente é uma grande diferença. Um ano atrás, a conta havia ficado negativa em R$ 87,9 bilhões. No acumulado do ano até aqui, o rombo é de R$ 73,4 bilhões, o quarto pior já registrado nos últimos 24 anos. O saldo também é quase que incomparável aos R$ 505,2 bilhões de despesas maiores do que receitas. De novo, por causa das medidas contra a covid-19 que foram implantadas ao longo de 2020.

O Tesouro Nacional destacou que é importante circunscrever estas medidas ao curto prazo, e não comprometer a sustentabilidade de seu pagamento por mais tempo. “Percebe-se, com isso, que o País dispõe de capacidade de gerar melhores resultados fiscais se comparado com o período anterior à pandemia e, seguindo neste caminho, as projeções ainda devem continuar melhorando”, considerou o órgão, por meio de relatório.

No mercado financeiro, que seguia bastante atento e desconfiado da melhora fiscal enfatizada por várias autoridades da equipe econômica nos últimos meses, também houve essa percepção, com melhora imediata em alguns indicadores, como juro futuro. Apesar do déficit de quase R$ 20 bilhões no mês passado, as projeções dos agentes financeiros eram de um buraco maior, de R$ 25,7 bilhões.

O secretário Jeferson Bittencourt chegou a calcular que, sem as despesas do governo com a pandemia, o governo central teria um déficit acumulado de janeiro a julho de R$ 3 bilhões, o que seria, de acordo com ele, "muito próximo de zero".

Pela abertura das contas, o resultado do Tesouro Nacional - incluindo o BC – foi de superávit de R$ 16,4 bilhões em julho. Apenas as do Banco Central ficaram negativas em R$ 37 milhões. Já o resultado do INSS ficou deficitário em R$ 36,2 bilhões no mês passado. Ainda que o saldo não tenha sido tão positivo como nos primeiros meses de 2021, Bittencourt enfatizou a melhora de um ano para o outro. "Teremos um déficit do Regime Geral da Previdência Social retomando trajetória mais comportada de melhora gradual no próximo mês", previu.

Bittencourt aproveitou a divulgação dos dados para anunciar uma troca em sua equipe. O subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, Pedro Jucá, deixará o cargo para trabalhar no Fundo Monetário Internacional (FMI). Em seu lugar, ficará David Rebelo Athayde

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