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Contas externas do Brasil têm o maior rombo desde 1947

Déficit registrado em 2014, de US$ 90,95 bi, foi puxado pela balança comercial e não foi coberto pelo Investimento Estrangeiro Direto

Economia & Negócios; Agência Estado 

23 de janeiro de 2015 | 10h32

Atualizado às 12h52

O resultado das transações correntes fechou o ano passado com déficit de US$ 90,948 bilhões, conforme divulgou nesta sexta-feira o Banco Central. O rombo superou a projeção da instituição, de um resultado negativo de US$ 86,2 bilhões. Além disso, foi pior do que as estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, da Agência Estado, que iam de um saldo negativo de US$ 88,100 bilhões a US$ 90,900 bilhões, com mediana de US$ 89,5 bilhões.

Esse resultado de 2014 é recorde para a série histórica do BC, iniciada em 1947. Até então, o maior volume havia sido registrado em 2013, de US$ 81,347 bilhões. Vale destacar que esse resultado deficitário foi 50% maior do que o verificado em 2012, de US$ 54,246 bilhões, que até então era o pior desde 1947.

O déficit em conta corrente do ano passado ficou em 4,17% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda de acordo com os dados do BC, o pior para um ano fechado desde 2001 (4,19%). O maior porcentual da série histórica do BC foi observado em 1974, de 6,8%.

Já os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram US$ 62,495 bilhões em todo o ano de 2014 e ficaram abaixo da estimativa do BC, de receber US$ 63 bilhões. O saldo anual só supera o de 2010 (US$ 48,506 bilhões), já que ficou inferior aos dos três anos anteriores: US$ 66,7 bilhões em 2011, US$ 65,3 bilhões em 2012 e US$ 64,045 bilhões em 2013.  

Com o resultado, nota-se que o ingresso desse tipo de investimento foi suficiente para financiar apenas 68,72% do rombo das transações correntes de 2014. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o IED passou de 2,85% em 2013 para 2,95% agora. 

Apontada como principal vilã das contas correntes em 2014, a balança comercial registrou um déficit de US$ 3,930 bilhões, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 48,667 bilhões. A conta de renda também ficou no vermelho, em US$ 40,2 bilhões. 

Viagens. Mesmo com a aceleração da cotação do dólar no segundo semestre do ano passado, a conta de viagens internacionais registrou um déficit de US$ 1,6 bilhão em dezembro de 2014 e um saldo negativo de US$ 18,695 bilhões no acumulado do ano. O resultado apurado em 2014 é um novo recorde, já que a maior marca havia sido registrada em 2013, de US$ 18,632 bilhões. 

O saldo negativo de dezembro do ano passado é resultado do volume de despesas pagas por brasileiros no exterior (US$ 2,124 bilhões) acima das receitas obtidas com turistas estrangeiros em passeio pelo Brasil (US$ 524 milhões). No acumulado do ano, as receitas passaram de US$ 6,710 bilhões em 2013 para US$ 6,914 bilhões no ano passado. As despesas, na mesma comparação, subiram de US$ 25,342 bilhões para US$ 25,608 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou que se não fosse a Copa do Mundo do ano passado, haveria recuo no gasto de estrangeiros no Brasil frente a 2013. Ele lembrou que a estimativa de impacto da Copa nas contas externas era de algo ao redor de US$ 1 bilhão.

Maciel também disse que o gasto dos brasileiros fora do País, apesar de recorde, cresceu em ritmo menor em 2014 em função do menor aumentos dos salários. Segundo ele, a tendência é de que as viagens cresçam de forma "moderada em 2015".

Lucros e dividendos. Já o saldo de remessas de lucros e dividendos no ano passado ficou negativo em US$ 26,523 bilhões - maior do que os US$ 26,045 bilhões de 2013. Como já havia indicado o resultado do fluxo cambial, no último mês de 2014, esse saldo ficou no vermelho em US$ 4,094 bilhões, um saldo negativo menor do que os US$ 4,829 bilhões, também negativos, registrados em dezembro de 2013.

É comum nos finais de ano haver uma ampliação de envios de lucros e dividendos de empresas instaladas no Brasil para suas matrizes no exterior. Por isso, o BC forneceu leilões de linha (operações de venda com compromisso de recompra) ao longo do mês passado. Dentro do programa de leilões de swap cambial em 2015, confirmado até pelo menos o dia 31 de março, não há previsão de operações de linha dentro de uma rotina preestabelecida. O BC se comprometeu, no entanto, a atuar sempre que considerar necessário. 

Previsões. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central afirmou que o saldo das transações correntes deve encerrar janeiro com um déficit de US$ 10,8 bilhões, puxada pelo setor de serviços. "Janeiro é um ano sazonalmente negativo", justificou Maciel.

O mês, apontado por ele como "fraco", deve, contudo, terminar com um desempenho melhor que o do mesmo mês de 2014. "É um mês mais fraco, no ano passado tivemos um déficit de US$ 11,6 bilhões", disse.

O Banco Central projeta um volume de US$ 3,2 bilhões em investimentos estrangeiros diretos para o mês de janeiro. De acordo com Maciel, a tendência é o IED "continuar vindo de forma bastante elevada" em 2015, em função das taxas de rolagem favoráveis.

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