Contas externas estão bem, mas muito dependentes

Se no início do ano havia muitas preocupações com relação aos rumos das contas externas, os dados do primeiro semestre as afastaram, embora eles revelem que essas contas estão dependendo muito do preço das commodities, no que se refere ao resultado da balança comercial, e da continuidade dos investimentos estrangeiros diretos (IEDs) para a cobertura do déficit em transações correntes.

, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

A balança comercial apresentou, no primeiro semestre, superávit de US$ 12,9 bilhões e de US$ 7,8 bilhões no mês. O que levou a esse resultado favorável foi basicamente o aumento do preço das commodities, enquanto os preços de outros itens de exportação estão recuando e as importações estão crescendo. Em compensação, despesas com serviços e renda também estão crescendo: de US$ 32,8 bilhões, no primeiro semestre do ano passado, elas passaram para US$ 39,8 bilhões neste ano - consequência do déficit das viagens internacionais (+65,5%) e da remessa de lucros e dividendos (+25,2%).

Na cobertura do déficit das transações correntes, a conta financeira no semestre compareceu com US$ 66,3 bilhões, com crescimento de 56,3%, e os IEDs, com US$ 32,4 bilhões. Estes foram superiores em 27,6% ao déficit das transações correntes, enquanto no mesmo período de 2009 nem chegaram à metade.

Se o Brasil foi tão favorecido por investimentos estrangeiros, sem dúvida é porque sua economia é uma janela de oportunidades num quadro de equilíbrio, enquanto as economias dos países desenvolvidos estão em crise. Trata-se de uma realidade que, não podemos esquecer, representa um fator ocasional, que poderá mudar num futuro imprevisível.

Temos de lembrar que as remessas de lucros e dividendos, no semestre, representaram um quarto dos ingressos, o que pode explicar o interesse dos investidores estrangeiros. Os IEDs representaram 2,14% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,18% no mesmo período de 2010.

Há um outro problema que o governo não aprecia discutir: o aumento da dívida externa total bruta. No primeiro semestre ela cresceu US$ 30 bilhões, atingindo US$ 286,8 bilhões, diante de reservas de US$ 335,7 bilhões, que aumentaram US$ 47,2 bilhões. Aparentemente, é uma posição tranquila, lembrando apenas que a dívida de curto prazo é de US$ 51 bilhões.

O que preocupa mais é que, em junho, a rolagem da dívida foi de 624% (515% no primeiro semestre todo) e que, até o dia 26 de julho, a rolagem ficou em 1.385%. A dependência do exterior cresce continuamente.

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