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Contas externas melhoram em fevereiro, mas déficit continua

Conta de transações correntes tem saldo negativo de US$ 591 mi, 3 vezes menor que o registrado em janeiro

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

24 de março de 2009 | 10h48

As contas externas apresentaram melhora em fevereiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 24, pelo Banco Central. A conta de transações correntes no balanço de pagamento do Brasil com o exterior apresentou um déficit de US$ 591 milhões em fevereiro. O resultado é menor do que o apresentado em fevereiro de 2008, quando as transações correntes foram deficitárias em US$ 1,882 bilhão. Além disso, o valor é menor do que a previsão feita pelo próprio Banco Central no mês passado, de déficit de US$ 1 bilhão.

 

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No bimestre, as transações correntes acumulam déficit de US$ 3,344 bilhões, ante US$ 5,910 bilhões no primeiro bimestre de 2008. No bimestre, o déficit das transações correntes corresponde a 2,04% do PIB. Em 12 meses, a conta de transações correntes acumula déficit de US$ 25,734 bilhões até fevereiro, o equivalente a 1,73% do PIB. Até janeiro, o déficit era de US$ 27,024 bilhões (1,27% do PIB).

 

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, avaliou há pouco que a conta de transações correntes do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior passa por um ajuste "profundo e rápido". Segundo ele, ao contrário de 2008, quando o nível de atividade econômica estava acelerado e havia grande liquidez externa, agora, neste momento, ocorre o contrário, com o nível de atividade mais acomodado e a liquidez de recursos mais restrita.

 

Isso provocou, segundo Altamir, um ajuste de 43% do déficit de transações correntes, que caiu de US$ 5,910 bilhões no primeiro bimestre de 2008 para US$ 3,344 bilhões no mesmo período deste ano. Esse ajuste decorre de uma redução do fluxo de comércio brasileiro (importação e exportação), resultado do menor nível de atividade econômica e também da retração do comércio mundial, não só no Brasil como no mundo inteiro.

 

Segundo Altamir, esses fatores levam a mudanças rápidas na conta de serviços. Ele citou o caso de transportes, que está tendo um ajuste profundo, e da conta de viagens internacionais. Com o real mais desvalorizado, menos brasileiros viajam para o exterior. Por outro lado, a receita de estrangeiros no Brasil continua boa.

 

Remessas

 

As remessas de lucros e dividendos em fevereiro somaram US$ 1,103 bilhão, um pouco menor que o resultado no ano passado, de US$ 1,293 bilhão. Em janeiro e fevereiro, as remessas têm saldo acumulado de US$ 1,801 bilhão, ante US$ 4,317 bilhões no primeiro bimestre do ano passado.

 

O chefe do Depec avaliou que o ajuste na remessa de lucros e dividendos também é muito profundo e significativo. No bimestre, a conta de lucros e dividendos caiu de US$ 4,317 bilhões em 2008 para US$ 1,801 bilhão. Segundo ele, com o agravamento da crise no final do ano passado, houve uma antecipação dessas remessas pelas empresas para repor posições no exterior. Também reflete o nível de atividade menor e a depreciação cambial.

 

Já as despesas com juros no mês passado totalizaram US$ 701 milhões e somam neste ano US$ 2,048 bilhões. Em fevereiro do ano passado, a despesa com juro foi de US$ 562 milhões e no primeiro bimestre de US$ 1,833 bilhão.

 

O BC também divulgou o resultado da dívida externa total brasileira, que caiu para US$ 195,838 bilhões em fevereiro. O saldo inclui endividamento público e privado. Em dezembro, a dívida externa estava em US$ 198,362 bilhões. A queda no saldo foi de US$ 2,524 bilhões.

 

Projeções

 

Nesta terça, o Banco Central reviu as projeções para as contas externas brasileiras em 2009. Segundo os dados, a projeção de déficit em transações correntes para 2009 caiu de US$ 25 bilhões para US$ 16 bilhões. Essa melhora foi puxada pela revisão para cima do saldo da balança comercial, que subiu de US$ 14 bilhões para US$ 17 bilhões.

 

O resultado, no entanto, vem acompanhado de uma redução da previsão de ingresso de investimentos estrangeiros diretos (IED) e queda da projeção de exportações, o que é um sinal negativo para o crescimento do País. A projeção de IED caiu de US$ 30 bilhões para US$ 25 bilhões e a de exportações caiu de US$ 193 bilhões para US$ 158 bilhões.

 

A projeção de remessa de lucros e dividendos caiu de US$ 20 bilhões para US$ 15 bilhões e de déficit da conta de serviços caiu de US$ 41,5 bilhões para US$ 36 bilhões. O déficit da conta de viagens subiu de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,5 bilhões.

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