Contas externas pioram, mas BC e analistas veem saída

O quadro das contas externas piorou em junho. O saldo negativo na conta corrente, que já não conseguia ser coberto apenas por investimentos produtivos, dependendo cada vez mais de aplicações em ações e renda fixa, precisou também dos empréstimos externos para que o balanço de pagamentos não fechasse no vermelho.

Cenário: Fabio Graner e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

A fragilidade das contas externas neste ano reflete a combinação de déficit em conta corrente em franca expansão e Investimento Estrangeiro Direto (IED) abaixo das expectativas do governo. Os US$ 12 bilhões que entraram no primeiro semestre estão um pouco abaixo do verificado em igual período de 2009 e representam bem menos da metade dos US$ 38 bilhões previstos pelo BC. Enquanto diminui o investimento produtivo, cresce a aplicação financeira.

Apesar da fotografia borrada neste ano, muitos analistas e o próprio BC acreditam que o Brasil tem uma posição de contas externas que não deve ser motivo de preocupação. Isso porque, apesar do fraco desempenho no semestre, o País deve atrair investimentos para o pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada, além do fato de, com o grau de investimento, as empresas poderem tomar dinheiro no exterior a juros muito baixos, o que ajuda a fechar as contas.

O problema é que, confiar nesses recursos para fechar as contas, significa aceitar passivamente o aumento das importações, que na prática significa que o Brasil está gerando emprego e renda no exterior.

SÃO JORNALISTAS DO "ESTADO"

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