André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Contas externas registram déficit de US$ 4,433 bi em julho, aponta BC

Após o superávit de US$ 435 milhões em junho, resultado de transações correntes ficou negativo em julho

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 12h25
Atualizado 27 Agosto 2018 | 21h06

Após o superávit de US$ 435 milhões em junho, o resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 4,433 bilhões em julho deste ano, informou nesta segunda-feira, 27, o Banco Central. A instituição projetava para o mês passado déficit de US$ 2,5 bilhões na conta corrente.

O número do mês passado ficou dentro do levantamento realizado pelo Projeções Broadcast, que tinha intervalo de déficit de US$ 5 bilhões a déficit de US$ 500 milhões (mediana negativa de US$ 3,800 bilhões). O déficit representa o pior resultado para meses de julho desde 2015 (déficit de US$ 5,685 bilhões).

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 3,900 bilhões em julho, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,010 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 5,509 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 3,202 bilhões.

No acumulado do ano até julho, o rombo nas contas externas soma US$ 8,078 bilhões. A estimativa do BC para 2018, atualizada em junho, é de déficit em conta corrente de US$ 11,5 bilhões.

Já nos 12 meses até julho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 15,005 bilhões, o que representa 0,76% do Produto Interno Bruto (PIB). Este porcentual de déficit ante o PIB é o maior desde maio de 2017 (0,96%).

Investimentos Diretos no País somam US$ 3,897 bilhões em julho​ 

Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 3,897 bilhões em julho, informou nesta segunda-feira, 27, o Banco Central (BC). O resultado ficou perto do piso das estimativas apuradas pelo Projeções Broadcast, que iam de US$ 3,600 bilhões a US$ 6,000 bilhões, com mediana de US$ 4,000 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de junho indicaria entrada de US$ 4,0 bilhões.

No acumulado do ano até julho, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 33,772 bilhões. A estimativa do BC para este ano, atualizada em junho, é de IDP de US$ 70,0 bilhões.

No acumulado dos 12 meses até julho deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 64,176 bilhões, o que representa 3,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Gasto de brasileiros no exterior cai 9%

O avanço do dólar ante o real nos últimos meses já contribui para segurar as despesas de brasileiros em viagem para o exterior. Dados do Banco Central mostram que, em julho, as despesas líquidas dos turistas somaram US$ 1,31 bilhão. O valor é cerca de 9% menor que os US$ 1,44 bilhão gastos no mesmo mês do ano passado.

Os valores refletem as despesas de brasileiros no exterior, de US$ 1,73 bilhão em julho, menos as receitas provenientes dos gastos de estrangeiros no Brasil, que somaram US$ 417 milhões.

Essa queda das despesas líquidas em dólares está em parte ligada à alta da moeda americana nos últimos meses. Em julho do ano passado, por exemplo, quem viajou para o exterior se deparou com um dólar turismo cotado a R$ 3,34 em média. Em julho de 2018, o valor médio do dólar turismo foi de R$ 3,96 – ou seja, 18,6% mais caro.

“O orçamento (para viagem) tende a ser feito em moeda nacional, com alguma margem de folga”, pontuou o chefe adjunto do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Lemos, na apresentação dos dados. “E os gastos no ano passado e neste ano, em reais, é mais ou menos o mesmo”, acrescentou.

Na prática, os brasileiros que estão viajando para o exterior gastam valores semelhantes em reais. Como houve alta do dólar ante o real desde o ano passado, a conta de viagens do balanço de pagamento acaba refletindo despesas menores, em dólar.

O dólar mais alto encarece as passagens de avião e os hotéis cotados em moeda estrangeira, além de produtos comprados lá fora. A valorização da moeda norte-americana também encarece gastos com cartões de crédito – que sofrem a incidência, ainda, do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), de 6,38%. 

De acordo com Lemos, com o dólar mais elevado em relação ao real, a tendência é de redução dos gastos de famílias e empresas com viagens para o exterior. Em agosto, até a última quinta-feira (dia 23), os brasileiros tiveram despesa líquida de US$ 713 milhões em outros países. Vale lembrar que, nesse período, o dólar turismo foi vendido em média a R$ 4,01. Ontem, ele já estava na faixa dos R$ 4,23. O dólar à vista – utilizado em transações comerciais – fechou o dia cotado a R$ 4,08, com queda de 0,59%, no mês de agosto, porém, a alta acumulada já é de 8,68% e no ano supera os 23%. 

Na avaliação do economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, se o dólar à vista se mantiver cotado entre R$ 3,90 e R$ 4,10, ele poderá beneficiar mais as contas externas, pois pode facilitar a entrada de recursos e dificultar a saída. “Isso tende a reduzir os gastos com viagens e o investimento no exterior, ao mesmo tempo em que pode diminuir as importações e elevar as exportações”, disse. / COLABOROU MARIA REGINA SILVA

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