Contas externas têm déficit de US$ 821 milhões, informa BC

Banco Central prevê aumento de 61% no déficit externo em 2010, refletindo a elevação das importações

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

24 de setembro de 2009 | 11h02

A conta corrente do balanço de pagamentos do País com o exterior registrou, em agosto, déficit de US$ 821 milhões. O número, divulgado nesta quinta-feira, 24, pelo Banco Central (BC), foi determinado sobretudo pelo déficit na conta de serviços e rendas, que fechou o mês com saldo negativo de US$ 4,111 bilhões. Esse valor foi parcialmente compensado pela balança comercial, que acumulou superávit de US$ 3,059 bilhões no mês. Houve ainda transferências unilaterais correntes para o Brasil, de US$ 230 milhões.

No acumulado de janeiro a agosto, a conta corrente acumula déficit de US$ 9,560 bilhões, o equivalente a 1,21% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período de 2008, o saldo negativo era de US$ 20,123 bilhões, ou 1,92% do PIB. No acumulado de 12 meses até agosto, a conta corrente registra déficit de US$ 17,629 bilhões, ou 1,34% do PIB.

Investimentos

Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil somaram em agosto US$ 1,907 bilhão, segundo os dados divulgados pelo BC. Em igual mês de 2008, antes do agravamento da crise financeira, o Brasil havia recebido US$ 4,638 bilhões de IED.

No acumulado de janeiro a agosto de 2009, a entrada de investimentos produtivos somou US$ 15,878 bilhões (2% do PIB), um patamar inferior ao observado em igual período do ano passado, quando havia ingressado no País US$ 24,614 bilhões (2,36% do PIB). De acordo com o BC, em agosto o investimento brasileiro no exterior registrou retorno de US$ 664 milhões. Isso significa que empresas brasileiras com instalações no exterior repatriaram parte do capital que estava lá fora. No acumulado de janeiro a agosto, esse movimento de retorno do capital brasileiro soma US$ 6,039 bilhões.

 

2010

 

O Banco Central prevê que o déficit em transações correntes do país aumentará 61% em 2010, para 29 bilhões de dólares, refletindo a elevação das importações e das remessas de lucros e dividendos em meio ao aquecimento da economia.

 

Se confirmado, o desempenho das contas externas será próximo ao registrado no ano passado, ano de forte atividade, em que o déficit foi de 28,2 bilhões de dólares.

 

Para 2009, a estimativa é de que o déficit em transações correntes alcance 18 bilhões de dólares, segundo dado revisado de um patamar anterior de déficit de 15 bilhões de dólares.

 

"(Os números) contemplam um nível de atividade bem mais forte", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, destacando aumento das importações e dos gastos com rendas e serviços. "Mas a expectativa que se tem para o financiamento do déficit também aumentou."

 

Segundo o BC, o déficit do próximo ano será inteiramente financiado por investimentos estrangeiros diretos, estimados em 38 bilhões de dólares.

 

As áreas que devem se destacar no recebimento desses investimentos em 2010 são mecânica e metalurgia. "Certamente setor de petróleo e álcool vai continuar aumentando muito", além do automobilístico, acrescentou Altamir Lopes.

 

Para este ano, o BC manteve a projeção de investimentos estrangeiros diretos em 25 bilhões de dólares.

Pelas estimativas da autoridade monetária, o superávit da balança comercial será de 27 bilhões de dólares este ano e recuará para 19 bilhões de dólares no ano que vem. As remessas de lucros e dividendos ficarão em 22,3 bilhões de dólares em 2009 e 26 bilhões de dólares em 2010.

 

(Com Agência Reuters)

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