Contas externas têm melhor junho desde 2004 e fecham semestre no azul

Transações correntes tiveram quarto resultado mensal positivo seguido com aumento das exportações

Fabrício de Castro e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2017 | 11h05

BRASÍLIA - Após o superávit de US$ 2,884 bilhões em maio, o resultado das transações correntes ficou positivo em US$ 1,330 bilhão em junho, informou o Banco Central. Este é o quarto superávit mensal consecutivo e o melhor resultado para junho desde 2004 (US$ 1,994 bilhão), sendo que a série histórica começou em 1995. O BC projetava para junho superávit em conta de US$ 750 milhões.

O resultado do mês passado ficou dentro do levantamento realizado pelo Projeções Broadcast com 25 instituições, que tinha intervalo de déficit de US$ 300 milhões a superávit de US$ 2,100 bilhões (mediana positiva de US$ 1,300 bilhão). A estimativa do BC, atualizada no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), é que o rombo externo de 2017 seja de US$ 24,0 bilhões.

No acumulado do primeiro semestre do ano, o superávit nas contas externas somou US$ 715 milhões. Já nos últimos 12 meses até junho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 14,328 bilhões, o que representa 0,76% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o menor porcentual em relação ao PIB desde março de 2008 (0,73%). 

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 34,936 bilhões em junho, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 15,551 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 19,732 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no azul em US$ 2,012 bilhões.

O chefe adjunto do Banco Central, Fernando Rocha, destacou há pouco, durante coletiva de imprensa, que o principal responsável pelo desempenho da conta corrente brasileira é a balança comercial. Em junho, a conta corrente brasileira registrou superávit de US$ 1,330 bilhão - o quarto resultado positivo consecutivo. Sozinha, a balança comercial indicou resultado positivo de US$ 6,963 bilhões.

Rocha chamou atenção ainda para o fato de as contas de serviços e de renda primária permanecerem relativamente estáveis. No caso de serviços, houve déficit de US$ 3,192 bilhões em junho, um valor abaixo do déficit de US$ 3,593 bilhões do mesmo mês do ano passado. A renda primária indicou déficit de US$ 2,646 bilhões em junho, ante US$ 2,866 bilhões no mesmo mês do ano passado.

De acordo com Rocha, a melhora na conta de serviços na comparação entre os meses de junho deve-se à redução do aluguel de equipamentos. Essa conta indicou saída de US$ 1,721 bilhão no mês passado, contra US$ 1,841 bilhão em junho do ano passado. Rocha afirmou que a economia menos dinâmica no País, com a retomada do crescimento ainda em curso, justifica os menores envios de recursos ao exterior em função de aluguel de equipamentos.

Por outro lado, ainda dentro da conta de serviços, houve mais uma vez incremento das despesas de brasileiros em viagem ao exterior. A conta de viagens indicou saída de US$ 1,133 bilhão em junho, ante saída de US$ 970 milhões no mesmo mês do ano passado. "A expectativa é de que despesa de viagens continue crescendo", afirmou Rocha. Em julho, até o dia 19, essa conta já está deficitária em US$ 923 milhões, resultado de receitas de US$ 235 milhões e despesas de US$ 1,158 bilhão.

Investimento no País. Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 3,991 bilhões em junho. O resultado ficou dentro das estimativas apuradas pelo Broadcast com 22 instituições financeiras, que iam de US$ 1,8 bilhão a US$ 4,6 bilhões, e acima da mediana prevista, de US$ 2,650 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de junho indicaria entrada de US$ 2,5 bilhões.

No acumulado do primeiro semestre de 2017, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 36,271 bilhões. Já a estimativa do BC para este ano, atualizada no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), é de US$ 75,0 bilhões de IDP.

No acumulado dos últimos 12 meses até junho deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 80,615 bilhões, o que representa 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Dívida externa. A estimativa do Banco Central para a dívida externa brasileira em junho é de US$ 307,293 bilhões. Segundo a instituição, o ano de 2016 terminou com uma dívida de US$ 321,297 bilhões.

A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 259,611 bilhões em junho, enquanto o estoque de curto prazo ficou em US$ 47,683 bilhões no fim do mês passado, segundo as estimativas do BC.

De acordo com a instituição, merecem destaques na dívida externa de longo prazo no ano desembolsos de títulos do setor financeiro em dólares, de US$ 1,4 bilhão, e as amortizações dos empréstimos de outros setores em dólares, de US$ 2,9 bilhões, e dos títulos do governo em dólares, de US$ 452 milhões. 

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