Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Contas externas voltam para o negativo em julho e fecham com rombo de US$ 1,6 bi

Resultado após três meses de superávit foi bem pior do que o projetado por economistas e pelo próprio Banco Central; no ano, o déficit nas contas externas soma US$ 8,320 bilhões

Eduardo Rodrigues e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 10h17

BRASÍLIA - Após três meses de superávit nas contas externas, o resultado das transações correntes do Brasil com outros países ficou negativo em julho, em US$ 1,584 bilhão, informou nesta quarta-feira, 25, o Banco Central. Em julho do ano passado, o saldo havia sido negativo em US$ 646 milhões.

O número de julho ficou muito acima da maioria das estimativas dos economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que apostavam em déficit de US$ 300 milhões. O BC errou ainda mais, pois projetava para o mês passado superávit de US$ 1,3 bilhão na conta corrente.

A conta de transações correntes no balanço de pagamentos engloba todos os negócios do Brasil com o exterior, incluindo o saldo comercial de mercadorias e serviços, as remessas de lucros e dividendos e os juros pagos pelas empresas, além das transferências pessoais entre países.

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 6,271 bilhões em julho, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,338 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 6,769 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 1,756 bilhão.

Os dados refletem os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que desde março do ano passado tem reduzido o volume de importações de produtos. Ao mesmo tempo, o Brasil tem se aproveitado da maior demanda global por commodities, produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, que são pilares da pauta de exportação do País.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o rombo nas contas externas soma US$ 8,320 bilhões. A estimativa atual do BC é de superávit em conta corrente de US$ 3 bilhões em 2021. O cálculo foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), publicado em junho.

Nos 12 meses até julho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 20,337 bilhões, o que representa 1,30% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimento estrangeiro

O rombo de julho, no entanto, foi totalmente coberto pelo ingresso de Investimentos Diretos no País (IDP), que somaram US$ 6,103 bilhões, segundo o BC.

O IDP representa os investimentos produtivos feitos por estrangeiros no País, tanto na construção de novas fábricas quanto na aquisição de participação em companhias em funcionamento.

No acumulado do ano até julho, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 31,795 bilhões. A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 60 bilhões. 

No acumulado dos 12 meses até julho, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 47,498 bilhões, o que representa 3,04% do PIB.

Gastos em viagens

Ainda sob os efeitos da pandemia de covid-19 na economia, a conta de viagens internacionais registrou déficit de apenas US$ 229 milhões em julho, informou o BC. O valor reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil no período. Em julho de 2020, o déficit nessa conta foi de US$ 127 milhões.

Com o dólar mais elevado e a restrição de voos em vários países, os gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram nos últimos meses. Vale lembrar que a pandemia de covid-19 ganhou corpo a partir de março do ano passado, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países.

O desempenho da conta de viagens internacionais no mês passado foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 452 milhões. O gasto dos estrangeiros em viagem ao Brasil ficou em US$ 223 milhões no mês passado.

No acumulado do ano até julho, o saldo líquido da conta de viagens ficou negativo em US$ 893 milhões. No mesmo período de 2020, o déficit nesta rubrica era de US$ 1,769 bilhão.  

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