Contas públicas afetarão risco latino, alerta EIU

A consultoria Economist Intelligence Unit ( EIU) alertou que as preocupações dos investidores com as finanças públicas na América Latina, e também com a capacidade dos governos em administrá-las, vão continuar em 2003, prejudicando as classificações de risco da região. "Com a América Latina se ajustando a um período provavelmente longo de baixos fluxos de capital e de pressões populares para medidas que reativem o crescimento econômico, os governos terão dificuldades em equilibrar políticas que revertam o recente declínio da qualidade de vida e criem mais empregos com as medidas austeras necessárias para enfrentar a recente deterioração das finanças públicas", disse a EIU, num estudo sobre os riscos na América Latina.A consultoria observou que os países com grandes dívidas públicas não terão outra saída a não ser gerar grandes superávits primários. "Isso já está ocorrendo em vários países, principalmente no Brasil que, sob os termos do acordo de US$ 30 bilhões com o FMI, se comprometeu a gerar superávits primários próximos dos 4% do PIB em 2003 e 2004."Segundo a EIU, sem a retomada de um crescimento econômico mais acelerado no médio prazo (entre 2003 e 2006), de pelo menos 3% anuais, "as deficiências estruturais vão sustentar o risco de dificuldade de pagamentos, mesmo com o firme apoio do FMI, pois as dívidas emitidas no final dos anos 80 e na década de 90 vão começar a vencer."A consultoria argumentou que, como o principal fator determinante de crescimento será o gerenciamento econômico, a questão chave para as perspectivas de risco da região é político: ?Será que os atuais ou futuros governos estarão dispostos, ou serão capazes, de adotar as medida necessárias para reduzir os desequilíbrios estruturais e assim reestabelecer a confiança e o crescimento?Segundo a EIU, a resposta é incerta para a maioria dos países sul-americanos. "As pressões populistas para políticas fiscais mais expansionistas, possivelmente às custas de inflação mais elevada, se fortaleceram no Brasil, Equador, Venezuela, Argentina, Bolívia e Peru."Além disso, apesar da "democracia estar firmemente estabelecida na região, as instituições políticas permanecem fracas e ineficientes, e há uma crescente falta de confiança na classe política". A EIU afirmou que "o desperdício, a ineficiência e burocracia prejudicam as tentativas de contenção de gastos" e o "cumprimento das leis é corroído por judiciários e agências ineficientes e corruptas".A consultoria frisou que "a fadiga com a austeridade entre o eleitorado e a representação minoritária no Congresso irão dificultar os esforços dos novos governos no Brasil e Equador para limitar ainda mais os gastos públicos". Além disso, o desencanto popular com as privatizações também poderá impedir os esforços para se obter financiamentos através da venda dos ativos estatais na região. "Nessas circunstâncias, os governos, acossados, vão se comprometer a aumentar a arrecadação através do maior rigor na coleta tributária e com mudanças nos impostos", disse a EIU. "Essas medidas, embora necessárias, vão oferecer apenas um limitado impulso ao crescimento da arrecadação fiscal, que continuará deprimida pela estagnação econômica ou recessão", diz a consultoria.

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