Tim Sloan/AFP
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Contas públicas do Brasil só voltam ao azul em 2020, diz FMI

Fundo estima um superávit primário de 0,3% do PIB no período; dívida total deve continuar trajetória de alta e ser a maior entre os emergentes em 2019

Altamiro Silva Junior, enviado especial, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2016 | 12h19

O Brasil deve voltar a ter superávit primário (economia para pagamentos de juros da dívida pública) em 2020, alcançando 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com projeções divulgadas nesta quarta-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório Monitor Fiscal, que avalia a situação das contas públicas dos países-membros. Ao mesmo tempo, o documento afirma que a dívida total do governo brasileiro deve continuar em trajetória de alta e ser a maior entre os principais emergentes em 2019.

A relação dívida/PIB, um dos principais indicadores de solvência de um país e avaliado de perto pelas agências de classificação de risco, deve fechar 2016 em 78,3%, ultrapassar os 80% no ano que vem e bater em 90,8% em 2020, para chegar em 2021 em 93,6%. O FMI ressalta que leva em conta para este cálculo os títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central, montante que não é considerado nos cálculo do governo brasileiro.

A dívida bruta brasileira segue acima da média dos emergentes, na casa dos 40%. Mesmo considerando apenas os países da América Latina, a média está ao redor de 60%. Atualmente, apenas alguns poucos emergentes, considerando as 40 principais economias avaliadas pelo FMI no relatório, têm a dívida como proporção do PIB maior que o Brasil, entre eles a Ucrânia, a Croácia, o Egito e o Sri Lanka.

Já o déficit nominal do Brasil, que inclui as despesas com juros, deve atingir um pico este ano, batendo em 10,4% do PIB, e depois começar a cair. No ano que vem, o indicador deve recuar para 9,1%, batendo em 7% em 2020 e 6,4% em 2021, número ainda alto comparado com anos anteriores. Entre 2007 e 2013, o déficit nominal ficou na casa dos 2,5%.

No caso das despesas primárias, a projeção do FMI é de déficit de 2,8% do PIB este ano, número que deve ir se reduzindo até se transformar em superávit em 2020. No ano que vem, o déficit primário deve ser de 2,2%, caindo para 1,2% em 2018 e 0,5% em 2019. O último ano que o país teve superávit primário foi em 2013. 

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