Contemporâneos vivem boom no exterior

A aposta na valorização crescente da arte brasileira no mercado internacional é uma unanimidade entre os marchands. O fenômeno da globalização pode ajudar, mas o fato é que os artistas contemporâneos brasileiros estão em sintonia com o que se produz nos grandes centros. "Os brasileiros desenvolveram uma linguagem compatível com o que se faz lá fora e enlouquecem os especialistas porque encontram saídas originais", diz Ricardo Sardemberg, da Camargo Vilaça. "O boom da arte brasileira no exterior ainda nem começou", prevê Oscar Cruz, da Thomas Cohn. Segundo Cruz, um artista do porte de Daniel Senise que, aos 45 anos, tem telas avaliadas entre US$ 10 mil e US$ 20 mil, se fosse norte-americano estaria, por sua importância, na faixa dos US$ 500 mil. "O nosso potencial de valorização ainda é pequeno, mas tende a aumentar", diz. "Já os nossos novos talentos têm a mesma faixa de preço dos novos de lá." Artistas brasileiros valorizados no exteriorA partir de 1985, obras de artistas como Jac Leirner, Leda Catunda e Nuno Ramos, todos da geração de 80, valorizaram 1.000%. O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) adquiriu uma peça de Leirner, composta por 1.500 maços de cigarro, por US$ 18 mil. Outros nomes conhecidos no circuito internacional de arte são os de Ernesto Neto, Siron Franco, Miguel Rio Branco, José Resende, além dos já citados Waltércio Caldas, Cildo Meireles, Tunga e Adriana Varejão e os neoconcretistas descobertos pelo mundo tardiamente, já nos anos 90, quando, na verdade, são os "pais" de todos os contemporâneos: Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape.Entre os novíssimos talentos, os marchands recomendam prestar atenção em Vânia Mignone, José Damasceno e Iran do Espírito Santo, que podem ser comprados a menos de US$ 5 mil. De três anos para cá, Vânia Mignone teve seus acrílicos sobre tela valorizados em 400%: de US$ 400 saltaram para US$ 2 mil. Mas há no mercado brasileiros nomes consagrados, principalmente no País, cujas obras ainda podem ser encontradas por preços entre US$ 5 mil e US$ 15 mil, como Mário Gruber, Rubens Gershmann, Ivald Granato, Kléber Machado e Sérgio Camargo.Mitos não refletem realidadeOscar Cruz faz questão de derrubar dois mitos: o de que trabalhos de artistas mortos valem mais e o de que artistas de obra pequena são, pela raridade, mais bem cotados. Segundo ele, quanto maior a obra de um artista, maior a possibilidade de ela vir a valorizar-se, pois circula mais. "Se Tarsila tivesse uma obra maior, com certeza seu Abaporu teria alcançado preço mais alto do que US$ 1,4 milhão", diz. Já artista vivo, segundo ele, ajuda a alimentar o mito e a promover as exposições. "Oiticica e Lygia Clark, se estivessem vivos, valeriam mais."

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