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Conteúdo exclusivo cria polêmica entre operadoras

A disputa acirrada pela ainda restrita base de assinantes não impediu as operadoras brasileiras de chegarem a um consenso, após dez anos de perdas: sem uma reestruturação profunda que torne a atividade rentável, novos aportes financeiros só serviriam para prolongar a agonia do setor. Mas o debate, que será iniciado nesta segunda-feira na primeira reunião conjunta das principais operadoras, terá de tocar em pontos delicados na relação entre as operadoras, em especial quando entrar em pauta o conteúdo da programação exibida no País. As principais produções das Organizações Globo para a TV por assinatura são exclusivamente transmitidas pelas empresas do grupo. "Nosso trabalho seria facilitado se tivéssemos acesso a mais conteúdo nacional", diz o gerente-geral da DirecTV no Brasil, Philippe Boutaud. Há dois anos, a operadora levou para o tribunais a questão da exclusividade da programação da rival Sky da Globo, e perdeu. "Os conteúdos exclusivos servem para a diferenciação", diz a diretora-executiva da Globosat Programadora, Rosana Codaro. De acordo com a executiva, as empresas que produzem programação local enfrentam uma combinação perversa de falta de escala e custos em dólar para os equipamentos. "Estar no Brasil é mais caro que em qualquer outro país", explica. Rosana lembra que, em outros países da América Latina, é possível produzir para atender a todos os países de língua espanhola. "Antes da crise, só a Argentina tinha 5 milhões de assinantes. Aqui, temos de produzir para 2 milhões." Mesmo quando a questão é enfrentar os programadores internacionais, que vendem os pacotes de canais praticamente fechados, a Globosat parece estar alguns passos adiante da concorrência. No ano passado, a operadora conseguiu renegociar seus contratos com os canais de filmes, o que deve permitir uma economia de R$ 106 milhões até 2004. Cerca de 30% das despesas operacionais da companhia são com programação. Apesar das diferenças, as operadoras ressaltam que o foco das discussões serão os problemas comuns, como a regulamentação que limita em 49% a participação do capital estrangeiro na TV a cabo, o custo em dólares da programação estrangeira e o peso dos tributos sobre o setor, que chega a consumir 30% do faturamento. Nesse último item os executivos listam o aluguel de postes, a contribuição para o Funtel - que não se reverte em benefícios para as companhias - e as taxas do Condecine, para fomento do cinema nacional, entre outros encargos governamentais. "A atual carga tributária é totalmente incompatível com o desempenho do setor", diz Boutaud. Entre as alternativas a serem buscadas para aumentar a rentabilidade das operações, uma das principais é a diversificação dos serviços oferecidos, como a venda de acesso à internet em banda larga, a prestação de serviços em sistemas interativos e mesmo a telefonia. "A TV a cabo é mais cabo do que TV", diz o diretor-executivo da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura, Alexandre Annenberg, numa frase conhecida no setor.

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