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Contra a crise, ONU propõe autoridade monetária global

Entidade quer fim do ?cassino financeiro? e pede controle dos mercados

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

A ONU propõe um sistema mundial de gerência de taxas de câmbio para sair da crise mundial e evitar conflitos como o que atravessam Brasil e Argentina. Em um projeto de profunda reforma do sistema financeiro internacional apresentado ontem, a entidade pede "o fim grande cassino financeiro" e diz que a falta de controle nos mercados fez com que um "tsunami atingisse o mundo". Cerca de US$ 16 trilhões foram operados sem controle nos bancos, e agora a ONU quer "nova administração da globalização".O projeto foi elaborado para servir de base de discussão dos governos. A meta era apresentar um primeiro receituário do que seria essa nova administração da globalização, incluindo o controle no mercado de commodities, bancos e moedas.A entidade pede a criação de uma Autoridade Monetária Internacional, que seria responsável por garantir o funcionamento do sistema e até emprestar em caso de crises. O alerta da ONU é de que a economia vive um caos monetário, e foi a falta de regulação e a "crença cega no mercado" que provocou "a queda mais drástica na economia em 80 anos". O documento da Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (Unctad) prevê queda de 1% a 2% do PIB mundial em 2009. A ONU propõe que taxas de câmbio não sejam mais deixadas ao sabor do mercado. A especulação sobre moedas é uma das explicações da crise e a queda de várias delas aprofundou ainda mais o problema. Islândia e Hungria tiveram de ser socorridos pelo FMI depois de queda de 51% e 34% em suas moedas.Agora, a ideia é de que algumas moedas sejam referências, e não somente o dólar. A ONU prevê até mesmo a criação de novas moedas. Os governos poderiam fixar suas taxas de câmbio a essas moedas de referência e acordos monetários regionais seriam garantidos para estabilizá-las. Sobre tudo isso, viria uma supervisão multilateral. A correção das moedas somente deveria ocorrer de acordo com a inflação de cada país. Um código de conduta ainda seria estabelecido e, se um país sofresse um ataque especulativo na moeda, os demais BCs ajudariam a frear o ataque. O acordo, portanto, exigiria compromisso de garantir a estabilidade de todos.A ideia é evitar conflitos como o que atravessam Brasil e Argentina e garantir que empresas possam competir em terreno justo. Desde o início da turbulência financeira, o real se desvalorizou 34%. Para o presidente do Banco Central argentino, Martin Redrado, isso foi uma espécie de "protecionismo cambial" do Brasil. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, rejeita a crítica.A ideia da ONU é de que essa volatilidade seja evitada com um sistema de intervenção dos governos. Para as Nações Unidas, essa será a única forma de evitar novas crises no futuro. A entidade admite que sua proposta representaria uma mudança profunda no sistema monetário internacional.

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