Contra a inflação, governo sugere trocar carne por ovo

Para secretário Márcio Holland, alta da carne em setembro foi sazonale consumidor pode substituí-la por outros alimentos mais baratos

ADRIANA FERNANDES, VICTOR MARTINS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2014 | 02h05

Depois do tomate, a carne foi eleita agora a vilã da inflação. Com o índice oficial (IPCA) em 6,75% em 12 meses, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, recomendou ontem aos brasileiros que troquem a carne bovina por outros alimentos.

Escalado pelo governo para explicar a forte alta da inflação em setembro e neutralizar as críticas da oposição em período eleitoral, Holland sugeriu a troca da carne por ovos e aves, ambas com preços mais baixos.

"O brasileiro tem uma série de outros produtos substitutos para carne, como frangos e ovos, que vêm apresentando comportamento benigno este ano", sugeriu. O período de entressafra da produção de carne, disse Holland, acabou elevando o preço. "É sazonal, tem substitutos. A população precisa ficar atenta." O secretário afirmou que diversos outros itens do "dia a dia da mesa do consumidor brasileiro" tiveram queda significativa de preços, como tomate e feijão.

A elevação do preço da carne bateu firme no IPCA. O produto subiu 3,17% em setembro, tendo sido responsável pelo maior impacto no índice. Apesar do estouro do limite da meta de inflação de 6,5% ao ano, o secretário tentou mostrar certo otimismo e projetou IPCA em 6,2% no fim de dezembro.

Seca. Holland disse que a inflação de alimentos e bebidas, embora em trajetória de alta em setembro, está menos intensa que nos últimos anos. E ponderou que o País vive um regime de seca. "Esse regime de seca tem impacto também no custo da energia elétrica", disse.

Para ele, o comportamento de alta dos preços monitorados mostra que não se sustenta a hipótese de represamento de preços. Economistas do mercado financeiro e o candidato da oposição à Presidência, Aécio Neves, têm apontado esse cenário.

Márcio Holland minimizou o impacto do estouro do teto da meta de inflação de 6,5% em setembro, às vésperas da votação em segundo turno. A meta, disse, é para o ano, e não para o mês. "A inflação independe de ciclos políticos", afirmou.

Para o secretário, reduzir a inflação é um grande desafio, mas o fundamental é que o IPCA está dentro da meta há 11 anos. As "boas políticas" praticadas e intensificadas, disse, vão ajudar a reduzir a inflação. Entre elas, citou os programas de qualificação profissional, desonerações da folha de pagamentos das empresas e o programa de investimentos em infraestrutura.

O secretário também não vê com grande preocupação o impacto da alta recente do dólar na inflação. A transmissão do câmbio para a inflação doméstica é mais baixa hoje em relação ao que ocorria no passado, disse. Holland evitou, no entanto, responder pergunta se o IPCA mais alto tiraria espaço para um reajuste dos combustíveis ainda este ano.

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