Contra crise, Dilma quer investimento privado

Para presidente, é importante que o "Brasil retome a taxa de crescimento de 4% a 5% e que a China retome sua taxa histórica"

LEONENCIO NOSSA, ENVIADO ESPECIAL/NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h31

O aumento dos investimentos privados deve ser a meta para que o Brasil volte a crescer de maneira vigorosa, disse ontem a presidente Dilma Rousseff. "Temos de fazer as políticas para garantir que o desenvolvimento privado deslanche", afirmou. "Vamos sair disso juntos." Na avaliação da presidente, "é importante que o Brasil retome a taxa de crescimento de 4% a 5% e a China também retome a sua taxa histórica".

A desaceleração no crescimento dos países emergentes é reflexo do que ocorre nos países ricos, mas Dilma não fez acusações diretas durante a entrevista concedida no fim da tarde. "A gente tem buscar um pacto e não apontar o dedo para os outros", disse. "O que adianta é que tenhamos uma compreensão de que todos sofremos as consequências da crise." Mais cedo, em seu discurso durante a abertura da 67.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ela havia defendido maior coordenação entre os países ricos e os organismos multilaterais, como o G-20, composto pelas principais economias do mundo inclusive o Brasil, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

"Esta coordenação deve buscar reconfigurar a relação entre política fiscal e monetária para impedir o aprofundamento da recessão, controlar a guerra cambial e reestimular a demanda global." Ela afirmou que "o Brasil tem feito sua parte" para evitar o aprofundamento da crise. Citou medidas como a desoneração da folha salarial e a redução de impostos. Desde agosto, Dilma tem anunciado medidas voltadas a aumentar o investimento privado, como o programa de concessões em rodovias e ferrovias, de R$ 133 bilhões e a redução do custo de energia a partir do ano que vem.

Protecionismo. Ela voltou a rebater críticas que o Brasil estaria adotando medidas protecionistas. "Dizem muito que o Brasil só elevou barreiras comerciais, mas no estudo que temos o Brasil é o lanterninha dos grandes países do mundo nisso." A presidente se refere ao estudo do Global Trade Alert, citado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada, em Londres. A interpretação dos dados, porém, foi questionada pelo autor da pesquisa. "É verdade que oito outros países adotaram mais medidas que o Brasil. Mas 194 outras economias fizeram menos", ironizou o professor Simon Evenett, fundador do Global Trade Alert, entidade financiada pelo Banco Mundial.

Dilma voltou a atacar a política monetária dos países ricos. "No caso da crise, temos dois instrumentos para sairmos dela, a política monetária e política fiscal. Se usarmos somente a política monetária, você diminui a taxa de juros a nível zero e faz uma expansão monetária com uma envergadura significativa, o que desvaloriza a moeda". A presidente prosseguiu explicando que uma moeda desvalorizada é o mais conhecido mecanismo de competição internacional.

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