Contra crise, governo lança agenda de comércio exterior

Preocupado com a retração do mercado mundial e com uma escalada protecionista em vários mercados, o governo lançou hoje uma agenda internacional que contém ações coordenadas para o comércio exterior e para atração de investimentos. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, a intenção da agenda, que ficará disponível no site do ministério, é reunir todas as ações, missões e feiras que serão realizadas pelo governo para ajudar o setor privado a abrir novos mercados.Barral disse que, em função do cenário mundial, o Brasil deve ser também mais agressivo nas reuniões bilaterais com parceiros prioritários. "O objetivo da agenda é condensar informações sobre mercados relevantes e apresentar o cronograma de missões internacionais, dando transparência às ações do governo para facilitar o planejamento do setor privado", disse o secretário.A agenda traz uma lista de países selecionados como prioritários para as exportações brasileiras, como, por exemplo, África do Sul, Índia, México, Japão e Coreia do Sul."Além de todas as atividades de médio prazo, que constavam da estratégia brasileira de exportação, temos de ter uma agenda mais agressiva em um ano de crise. Então, a intenção é mostrar a potencialidade de vários mercados para onde o Brasil tem exportado pouco", informou.Barral disse que os países em desenvolvimento ainda devem apresentar crescimento econômico neste ano e isso abre uma oportunidade para o Brasil. "O que interessa é manter o curso da consolidação e dar uma estabilidade para as exportações brasileiras e, para isso, é preciso diversificar as exportações e agregar valor para não ficarmos dependentes de poucos produtos em alguns mercados", disse.O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, disse que o Brasil precisa trabalhar na eliminação de barreiras para garantir mercados importantes. Ele citou, por exemplo, que o ministro Reinhold Stephanes irá fazer um road show, em junho, em alguns países da Europa, onde há muito ataque à qualidade dos produtos brasileiros. Ele disse também que a ideia é aproveitar a ida do presidente Lula à China, em maio, para tentar abrir o mercado para as exportações de carnes brasileiras. Meta de exportaçõesBarral disse também que o Brasil deve alcançar em 2009 a meta de participação de 1,25% das exportações mundiais. Segundo ele, isso deve acontecer não porque as exportações brasileiras vão crescer muito, mas porque as de outros países cairão muito mais. A meta está prevista na Política de Desenvolvimento Produtivo para 2010. Segundo Barral, apesar da possibilidade de a meta ser alcançada já este ano, o governo quer que ela tenha estabilidade no futuro. O secretário de Comércio Exterior informou que tem recebido reclamações do setor privado de queda de demanda. "Há reclamações pontuais sobre medidas protecionistas e nós estamos agindo rapidamente, nas reuniões bilaterais", afirmou. O secretário disse que também há reclamações sobre a falta de financiamento para pequenas e médias empresas, além do excesso de burocracia.Barral informou que na próxima sexta-feira haverá uma reunião técnica com o governo do Equador para tentar reverter algumas barreiras técnicas, sobre produtos brasileiros. O Equador adotou recentemente cotas, aumento de tarifas e barreiras técnicas para as exportações brasileiras. E no dia 17 haverá uma reunião de ministros brasileiros e argentinos para discutir problemas da agenda bilateral. "Queremos deixar tudo claro para não haver uma escalada protecionista", afirmou.ZPEsO ministro Miguel Jorge encaminhou ontem para a Casa Civil da Presidência da República a minuta de decreto que regulamenta o funcionamento do Conselho das Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs), informou Barral. A partir da instalação do Conselho serão definidos os critérios para a aprovação dos projetos das ZPEs. Barral espera que o decreto seja assinado ainda este mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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