Contra Motorola, Samsung amplia tela e busca geração 'selfie'

Após chegada da nova linha Moto e desmartphone da Asus,líder coreana lança novoaparelho intermediário

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2014 | 02h03

Depois de ver a Motorola conseguir, em poucos meses, transformar o Moto G no aparelho mais vendido do País, a líder geral do mercado brasileiro e global de smartphones, a coreana Samsung, resolveu reagir. A resposta da empresa às crescentes exigências do novo consumidor de smartphones será dada em duas semanas, com o lançamento do Gran Prime, revelou Roberto Soboll, diretor de produtos da área de dispositivos móveis da Samsung no Brasil.

O preço do novo produto ainda não está definido, mas Soboll adianta que deverá ficar justamente na faixa em que as grandes fabricantes deverão se "acotovelar" neste fim de ano: smartphones que custem entre R$ 400 e R$ 700, na qual também estão se posicionando rivais como a taiwanesa Asus - que só agora chega com força ao Brasil no segmento -, a Sony e a LG.

Diante de tanta concorrência, a Samsung resolveu usar sua capacidade global de desenvolvimento para criar um produto "quase que exclusivo" para o Brasil, nas palavras do executivo. Para isso, a empresa buscou saber o que o consumidor brasileiro de tecnologia - especialmente o mais jovem - exige atualmente. E uma das principais demandas é uma câmera frontal de qualidade. A intenção desse item específico é atrair a "geração selfie", que gosta de compartilhar fotos em redes sociais.

O problema é que as linhas de celular de menor preço costumam ter câmeras de baixa qualidade - especialmente as frontais, essenciais para um selfie decente. "Investimos na câmera para que a pessoa possa tirar não só a foto de seu rosto, mas também para que o fundo apareça nítido", explica Soboll. "Muitas vezes, é importante mostrar onde a foto foi tirada."

Outra decisão da Samsung para o lançamento do Gran Prime foi a aposta em uma tela grande, de 5 polegadas, e na possibilidade de ver TV em alta definição no aparelho. "Antes, as pessoas usavam o telefone principalmente para o serviço de voz (chamadas), mas agora a preocupação é com a conexão de internet", diz o executivo. "O cliente hoje quer a melhor experiência possível. E, para isso, as telas mais procuradas são as de pelo menos 4,5 polegadas."

Para analistas de mercado, o novo aparelho, que chega bem a tempo da Black Friday e do Natal, é uma reação direta da Samsung à ascensão não só da Motorola, mas também de outras concorrentes no País. A aposta do mercado é que o Gran Prime tenha preço inferior ao do Moto G no mercado brasileiro.

Questionado sobre a estratégia da Motorola de cortar radicalmente a linha de produtos para focar em apenas uma família de smartphones, Soboll afirmou que a Samsung não trabalha com essa hipótese. A empresa coreana contabiliza cerca de 40 modelos no País. Ele diz que a intenção é oferecer aparelhos desde o mais básico até os topos de linha Galaxy (com valores superiores a R$ 2 mil).

Mercado maduro. No entanto, na visão de analistas, a briga vai cada vez mais se concentrar no "meio de campo" - a busca por aparelhos intermediários mostraria uma evolução do mercado brasileiro. Embora só 50% da base de celulares do País seja composta por smartphones, segundo a consultoria IDC - o que significa que metade dos brasileiros nunca tiveram um smartphone -, dados da GfK apontam que o consumidor está disposto também a trocar de aparelho.

Uma pesquisa da consultoria alemã, que ouviu 500 pessoas, mostra que 75% dos brasileiros que já têm um smartphone trocam de aparelho em dois anos ou menos. Segundo o analista Oliver Römerscheidt, diretor da área de varejo e tecnologia da GfK Brasil, a maior parte dos que querem a mudança (54%) citam a tecnologia obsoleta como motivo.

"É por isso que as empresas têm de lançar produtos cada vez mais rapidamente", explica o analista, lembrando que a "vida útil" de uma linha de celulares gira em torno de oito meses. Ou seja: não há motivos para uma empresa se deslumbrar com um acerto, pois a coqueluche de hoje pode facilmente ser o encalhe de amanhã.

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