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Contração de 1,5% no PIB põe Espanha em recessão

Queda no 4.º trimestre se soma à contração entre janeiro e setembro

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

A festa acabou. Ontem, dados extra-oficiais confirmaram que a Espanha entrou em recessão, a primeira em 15 anos, encerrando o período de maior prosperidade econômica do país. Com 3 milhões de desempregados, o país se transformou numa das principias vítimas da crise mundial, ao lado de Irlanda, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, todos em recessão. Dados divulgados ontem pela Fundación de las Casas de Ahorro mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 1,5% no quarto trimestre, após a contração de 0,2% de julho e setembro, configurando o início da recessão. Por dia, 5,6 mil pessoas perdem o emprego no país. A Espanha vinha crescendo a uma taxa média de 3,8% por ano na última década. Passou até a ser considerada por economistas de todo o mundo como exemplo a ser seguido. Dois dias atrás, o presidente do Banco Central da Espanha, Miguel Angel Ordoñez, alertou que não se poderia descartar nem mesmo uma "depressão" no país.O ministro da Economia, Pedro Solbes, admitiu que a Espanha dificilmente escaparia da recessão nos próximos meses e ainda alertou que 2009 será pior que 2008.O maior impacto da crise que começou nos Estados Unidos foi sentida no setor imobiliário. Nas ruas de Barcelona, agências que vendem apartamentos e casas foram obrigadas a reduzir os preços para tentar atrair clientes. Em uma delas, visitadas pelo Estado, a queda nos preços dos apartamentos chega a 15%. O que mais preocupa o governo é que a recessão, a primeira desde 1993, pode ser mais longa do que todos esperam. Para o próximo ano, existe a projeção de uma contração de 1% no PIB. A retomada do crescimento é prevista para ocorrer somente em 2011. O impacto social da crise também já é visível. Está em praticamente todas as conversas nos bares e nas praças das cidades espanholas. Em Barcelona, a montadora Seat anunciou férias coletivas para parte de seus empregados e ainda reduziu para dois dias a semana de muitos dos que ficaram. A empresa não consegue vender no mesmo ritmo que vinha fazendo diante da queda nas compras de carros novos de 50% entre os espanhóis em novembro. O problema é que a queda na atividade da Seat significa a quebra de muitas empresas pequenas que existiam apenas para fornecer peças e serviços à empresa automotiva.Com 12,5% de desemprego, as projeções apontam que a Espanha pode terminar 2009 com 15% da população sem trabalho. Para 2010, a taxa pode ser de 20%. Hoje, 40% dos imigrantes já não têm trabalho.

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