Contrariando Morales, Petrobras quer produzir na Bolívia

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, insistiu hoje durante entrevista que a estatal continua firme no propósito de ser uma produtora de petróleo e gás na Bolívia e não uma prestadora de serviços. "A estratégia da companhia não é de ser uma prestadora de serviço, mas uma produtora de petróleo e gás e estamos dispostos a fazer todas as parcerias necessárias para isso", disse. Ontem, o presidente boliviano, Evo Morales, reiterou em discurso que a intenção de seu governo é ter o melhor aproveitamento possível dos recursos naturais do país, incluindo de gás, para melhorar as condições de vida da população. Para isso, o negócio com o gás não pode ser privado. Conforme Gabrielli, os projetos da companhia continuarão sendo de aumentar a presença na Bolívia e para isso a estatal tenta acelerar o processo de negociação com o governo, na busca de uma solução. A comissão de negociadores deverá incluir executivos da estatal brasileira e representantes da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPFB) e o Ministério de Hidrocarbonetos, em um encontro que deve ocorrer nos próximos 10 dias. A intenção do governo boliviano é transferir para a estatal YPFB o controle sobre os campos de petróleo e gás do país. Além disso, um novo modelo contratual que reserva às atuais concessionárias o mero papel de operadoras de poços está em gestação no Ministério dos Hidrocarbonetos boliviano, devendo ser apresentado ainda este mês. Governo brasileiro vai insistir Gabrielli não quis entrar em detalhes sobre o tom das conversas e disse que vai evitar adiantar estratégias para a imprensa. Mas quando questionado sobre a posição do presidente boliviano, reiterada ontem, de que o governo pretende ter sócios na exploração dos recursos naturais e não patrões, ele afirmou: "eu também disse ao presidente Morales, quando ele esteve aqui, a mesma frase. Nós também queremos ser sócios da Bolívia e sócios da YPFB". A estatal brasileira pretende utilizar na Bolívia a experiência na capacidade de processar, encontrar petróleo e ter a gestão de recursos de forma adequada. "Uma prestadora de serviço é contratada para fazer o serviço com limites, e com taxa predeterminada. Portanto tem menos risco, porém tem menos retorno", explicou. O presidente da Petrobras apresentou hoje pela manhã para uma palestra para investidores na programação paralela à 47ª Reunião Anual das Assembléias de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para detalhar os projetos da empresa. Mas o público era composto unicamente por jornalistas.

Agencia Estado,

04 Abril 2006 | 12h48

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