Contratações crescem dois meses seguidos nas montadoras de veículos

O emprego nas montadoras de veículos começou a reagir nos dois últimos meses em resposta ao aumento das vendas de automóveis no mercado interno, beneficiadas pelo corte no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Depois de oito meses consecutivos de queda, o número de trabalhadores empregados nas montadoras cresceu 0,3% em julho ante junho e 2,3% em agosto na comparação com o mês imediatamente anterior, segundo levantamento da Associação Nacional do Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com isso, nos últimos dois meses foram abertos 1.391 postos de trabalho no setor.

Apesar da pequena reação, o nível de emprego nas montadoras em agosto está 5,5% abaixo do verificado em igual período de 2008. Em agosto do ano passado, a indústria automobilística empregava 112.640 trabalhadores e, em agosto deste ano, tinha 106.475 funcionários, entre contratados e temporários.

O aumento do emprego foi puxado pelas vendas domésticas de veículos que cresceram 2,7% entre janeiro e agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2008. Enquanto isso, a produção nacional de veículos caiu 11,9% e as exportações tiveram retração de 44,4% em número de unidades.

AUTOPEÇAS

Já o nível de emprego nas fábricas de autopeças não acompanhou o crescimento apurado pelas montadoras. Pesquisa do Sindipeças, sindicato das fabricantes de autopeças, com 93 indústrias do setor revela que, após dois meses consecutivos de estabilidade (março e abril), o quadro de funcionários recuou por três meses seguidos. Em julho, último dado disponível, o setor empregava 195.400 trabalhadores.

Desde abril, quando o setor de autopeças empregava 200.000 pessoas, foram fechados 4.600 postos de trabalho. Em relação a outubro do ano passado, quando eclodiu a crise, foram realizadas 33.900 dispensas.

Especialistas do setor observam que a retração do emprego nas autopeças, apesar do corte no IPI dos veículos, tem sido motivada pela estagnação nas vendas de ônibus e caminhões e pela retração nas exportações. Além disso, com real valorizado, os fabricantes nacionais enfrentam maior concorrência dos importados.

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