Contratações devem crescer em 2007, mas renda será baixa

As projeções para o mercado de trabalho em 2007 traçadas pelo meio sindical são otimistas, incluindo a possibilidade de aumento de contratações e redução do estoque de desempregados no País. Segundo cenário projetado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), dependendo do grau de ousadia a ser aplicado pelo governo no pacote de medidas para estimular o crescimento econômico,a ser divulgado ainda neste mês, o País poderá notar uma queda mais acentuada do desemprego. Contudo, as perspectivas sobre a renda do trabalhador não são tão positivas.Conforme a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio real de novembro, nas seis regiões, ficou em R$ 1.056,60, alta de 0,6% em relação a outubro e representando um ganho de aproximadamente 5,7% em um ano. Em outubro, a Pesquisa Mensal de Emprego e Desemprego (PED), produzida pelo Dieese em parceria com a Fundação Seade, identificou recuo do rendimento dos trabalhadores na Grande São Paulo, de 3,7% ante setembro, equivalendo a R$ 1.105."A massa de salários está crescendo com a expansão da ocupação, mas o rendimento médio ainda não reage. Os postos criados são de remuneração menor, um movimento normal, dado o alto volume de desempregados que ainda há no País", justificou a assessora técnica do Dieese, Patrícia Lino Costa. Segundo ela, a expansão da atividade econômica e a queda do desemprego poderão estabelecer condições para os sindicatos buscarem melhores reajustes salariais nas campanhas coletivas.Motivos para otimismoO otimismo em relação às contratações, segundo à técnica, referem-se às indicações dadas pelo governo de estímulo aos investimentos em infra-estrutura. Confirmadas, terão grande impacto na geração de ocupações. A técnica observa que também joga favoravelmente ao movimento de contratações a elevação do salário mínimo para R$ 380, estimulando o consumo da população de menor renda e os incentivos à construção civil.Por outro lado, ela pondera que, ratificada a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% este ano, considerada pela maioria do setor financeiro, o mercado de trabalho tenderá a manter a redução da massa de desempregados, porém num ritmo lento, seguindo o comportamento verificado nos últimos dois anos.Em novembro, a taxa de ocupação verificada pelo IBGE era de 9,5% da População Economicamente Ativa (PEA), nas seis principais regiões metropolitanas do País. Já a PED identificou índice de 14,1% de desempregados na PEA da Grande São Paulo, o menor para o mês desde 1996."O fato é que o desemprego caiu mais em São Paulo, puxado pela indústria, e Belo Horizonte, por serviços, e não teve o mesmo comportamento no restante do País. Acreditamos que há espaço para a indústria expandir contratações, acompanhada por serviços, e o crescimento do emprego ocorrer em todas as regiões", indicou Patrícia.Setores mais beneficiadosUma vez que as projeções são de continuidade de queda dos juros em ritmo lento e de câmbio sem grandes oscilações, a perspectiva do Dieese é de contratações atreladas ao consumo do mercado doméstico. Assim, os segmentos ligados a calçados, vestuário, têxtil e alimentação deverão gerar os postos de trabalho.Na mesma linha, os prestadores de serviços ligados à indústria também poderão se beneficiar desse ambiente favorável de criação de empregos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.