HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Contratações no setor de tecnologia ficam mais flexíveis

Para alguns cargos, exigência de ensino superior foi substituída pela de curso técnico; concursos abertos aumentam chances para novatos

Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2019 | 05h00

Diante da dificuldade em encontrar mão de obra, o mercado de tecnologia está mais flexível. No ano passado, mesmo em um cenário ainda difícil para a economia, as empresas de tecnologia associadas à Brasscom, principal entidade do setor, contrataram 28 mil funcionários, número que só não dobrará em 2019 por causa da falta de pessoal qualificado. Nas 5 mil novas startups (empresas nascentes) de tecnologia que devem surgir no mercado brasileiro em 2019, o total de vagas pode chegar a 50 mil.

“A disputa por cérebros para o mercado de tecnologia está mais acirrada, dada a escassez de mão de obra não só em startups como também para área de tecnologia de grandes empresas tradicionais”, diz Ricardo Basaglia, diretor executivo da empresa de recrutamento Michael Page, que criou uma divisão dedicada à área de tecnologia por conta da demanda por profissionais da área.

Para atrair mão de obra, as empresas passaram a olhar de forma mais generosa para diplomas de cursos técnicos. Cargos como desenvolvedores de softwares, antes reservados para graduados em Ciência e Engenharia da Computação, agora estão abertos para profissionais com formação técnica, apesar de estarem entre os mais estratégicos na área de tecnologia, diz Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups). 

Segundo a empresa de recrutamento Revelo, hoje a posição de desenvolvedor paga salário médio inicial de pouco menos de R$ 6,5 mil, bem mais do que cargos nos quais há mais oferta de profissionais, como especialista em mídias sociais, cuja média salarial está em R$ 3,7 mil.

Criatividade e competência técnica

Na hora de buscar profissionais, as empresas adotam ferramentas para testar a competência técnica e a capacidade de solucionar problemas dos candidatos – independentemente de formação acadêmica. A fintech Warren, por exemplo, usou um “enigma” em um processo de seleção. “Só quem conseguisse decifrar a mensagem codificada tinha acesso ao e-mail para enviar o currículo. Queríamos testar o prazer das pessoas em resolver desafios”, diz André Gusmão, cofundador da empresa.

Com base em Campinas (SP), a CI&T presta serviços de tecnologia para clientes como Itaú e Google. Com atuação nos mercados do Brasil, dos EUA e da China, a empresa criou uma campanha de contratação na forma de desafio digital, que atraiu 5,3 mil candidatos. Batizada You Global, ela permitiu que a empresa conseguisse encontrar cem novos funcionários, diz Marcelo Trevisani, diretor de marketing da CI&T. Hoje, a companhia tem 2,5 mil empregados, com previsão de contratar mais 500 até dezembro. 

Diante da necessidade de escalar negócios, o setor vêm priorizando a velocidade. A Revelo trabalha com uma ferramenta na qual os profissionais são filtrados por uma sistema automatizado, que hoje já reúne 500 mil cadastros. Assim, uma pessoa só é apresentada a uma companhia quando as chances de contratação são altas. Segundo Mateus Pinho, diretor da Revelo, a seleção para uma vaga, que costuma levar um mês, pode ser resolvida em uma semana. “As empresas hoje têm pressa”, diz ele, que calcula que a ferramenta receba 30 mil currículos ao mês.

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