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Contratos de câmbio reduzem dívida pública

A decisão do Banco Central (BC) de vender contratos de câmbio (swap cambial) sem obrigar os investidores a adquirir também títulos do governo corrigidos pela taxa de juros (LFT?s) contribuirá para reduzir a dívida pública. Neste mês, o BC já fez três leilões de contratos desse tipo, totalizando cerca de R$ 1,5 bilhão.Essas operações substituíram títulos atrelados à moeda estrangeira que estavam vencendo no período no mesmo montante. Com isso, cai o total de papéis cambiais em poder do mercado. Como os contratos de câmbio são operações especiais contabilizadas de forma separada, o impacto é positivo, puxando a dívida mobiliária para baixo.O ganho dessa operação, no entanto, poderá ser neutralizado se o câmbio mantiver a trajetória de alta verificada nos últimos dias. Isso porque, apesar das recentes trocas, o estoque de papéis cambiais ainda é bastante elevado, e a oscilação na cotação do dólar tem um forte impacto sobre esses títulos.Nos cálculos do economista Júlio Callegari, da Consultoria Tendências, até esta terça-feira o real acumulava uma desvalorização de 6,7%. Se este valor for mantido até o final do mês e o dólar encerrar o período no patamar atual de R$ 2,52, a dívida em papéis cambiais que, segundo dados do BC estava em R$ 179 bilhões no final de março, pulará para R$ 191,7 bilhões só com o efeito câmbio do mês de maio.A alta é bem maior do que o efeito positivo dos contratos cambiais. ?Neste mês, especificamente, o ganho deve ser integralmente anulado?, destaca Callegari. A venda de contratos de câmbio foi uma fórmula criada pelo governo para tentar reduzir o custo de rolagem dos papéis cambiais.Neste ano, o total de títulos cambiais que estão vencendo soma R$ 69,4 bilhões. O período de maior concentração é entre abril e agosto, quando os vencimentos chegam, em média, a R$ 9 bilhões por mês. Em vez de simplesmente substituir esses papéis por outros novos, o BC decidiu oferecer aos investidores, numa operação conjunta, contratos especiais conhecidos no jargão do mercado por swap cambial e títulos corrigidos com base na taxa de juros (LFT?s).O novo instrumento, entretanto, teve que ser modificado no início deste mês, porque acabou criando um excesso de LFT?s no mercado e provocando distorções no preço do título. ?A idéia é que outros títulos públicos ocupem o espaço dos papéis cambiais?, afirma o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg.Segundo ele, não deverá haver excesso de liquidez no mercado. ?O investidor que tinha um título cambial e trocou por um contrato de swap ficou com o dinheiro em caixa, já que o contrato de câmbio não exige um desembolso, como o título?, disse. ?Com isso, ele irá aplicar seus recursos em outros papéis?, completou.Mas isso só deverá ocorrer numa segunda etapa, já que, inicialmente, o mercado está avesso às LFT?s. Enquanto isso não ocorrer, a tendência é que as operações de swap contribuam para redução da dívida. ?O volume dos contratos de câmbio será apresentado de forma separada, mas o importante é que o risco assumido pelo governo estará mensurado?, afirma Sardenberg.

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