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Contribuição ao FMI será definida em junho, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que o grupo dos Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) não vai especificar ainda a contribuição para novos aportes ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo ele, esse valor deve ser decidido na reunião de cúpula do G-20 em junho. O total da ajuda entre todos os países, incluindo as economias avançadas, deve chegar a US$ 400 bilhões.

LUCIANA ANTONELLO XAVIER, Agencia Estado

20 de abril de 2012 | 13h57

Havia expectativa de que essa definição ocorresse hoje e o próprio Mantega havia falado anteriormente que existia essa possibilidade. "Os países europeus já especificaram. Tem uma lista com trezentos e poucos bilhões (de dólares). A questão é como é que se chega nesses US$ 400 bilhões e isso será definido, a princípio, até a próxima reunião, daqui a dois meses", afirmou.

Mantega disse mais uma vez que a contribuição dos Brics dependerá do cumprimento da reforma na governança do FMI, da manutenção do cronograma das mudanças e da alteração na fórmula para cálculo das cotas.

O ministro das Finanças da Rússia, Sergei Storchak, tinha dito na noite de quinta-feira que a contribuição da China poderia ser de US$ 60 bilhões, enquanto Brasil e Rússia participariam com algo em torno de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões. Mantega negou a informação. "Eu não falei nenhum valor, não dei nenhum valor".

Discurso

No discurso que fará sábado no Encontros de Primavera promovido pelo FMI e Banco Mundial, em Washington, o ministro deverá deixar claro sua insatisfação com o apoio do fundo às políticas ultra-acomodatícias das economias avançadas. Ele também deve expressar a disposição do Brasil em continuar a agir para conter o fluxo excessivo de entrada de capitais no País, por causa dessas políticas.

"O FMI tem endossado fortemente as políticas monetárias dos países avançados, incluindo medidas recentes tomadas pelo Banco Central Europeu (BCE). Tem sido mais relutante, no entanto, em apoiar medidas defensivas que algumas economias emergentes são forçadas a adotar em resposta aos efeitos dessas políticas", diz o texto, divulgado pelo FMI. O discurso será feito por Mantega na plenária do Comitê Monetário e Financeiro Internacional.

"O governo brasileiro continua comprometido em fazer o que julgar necessário para conter o fluxo excessivo e volátil de capital, por meio de intervenções no mercados futuro e spot de câmbio, medidas macroprudenciais e controles de capital", dirá o ministro em seu discurso.

Mantega também deve falar novamente sobre a necessidade de avanço na reforma do FMI, em especial mudanças nas cotas, que deem mais força aos emergentes dentro do Fundo. "Estamos profundamente preocupados com a lenta implementação das reformas de 2010 de cota e governança", afirma o texto. "O progresso nesse front tem sido limitado e lento".

O ministro lembra, no texto, que as cotas são o principal determinante do poder de voto no FMI e que a fórmula para cálculo das participações deve ser baseada essencialmente no Produto Interno Bruto (PIB) dos 188 países membros.

Poupança

Mantega negou que vá se reunir com a presidente Dilma Rousseff na próxima segunda-feira, em Brasília, para discutir mudanças na poupança. "Não tem nenhuma reunião sobre poupança. Com os juros a 9% não há necessidade de mexer na poupança", justificou. Ele participa nesta sexta feira de reunião com países do G-20, que ocorre durante os encontros do FMI em Washington. O ministro retorna no domingo ao Brasil.

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