Contribuinte usa restituição para pagar dívidas

Em vez de pedir novos empréstimos, os consumidores aproveitaram a liberação do primeiro lote de restituição do Imposto de Renda e o pagamento das correções do FGTS para quitar dívidas no mês de junho. A baixa demanda de crédito foi o principal fator para evitar o repasse do aumento do custo de captação de recursos pelos bancos para o consumidor. No mês passado, o valor cobrado nos empréstimos para os clientes subiu 0,4 ponto e atingiu 70,4% ao ano.Essa é a consequência do fato de o custo geral de captação de recursos pelos bancos ter aumentado 3,3 pontos percentuais em junho, encerrando o mês em 22,5% ao ano. A principal razão é o cenário turbulento no mercado financeiro.Um reflexo disso é a queda na inadimplência de 15,2% para 14,9% no mês passado. Segundo os dados divulgados ontem pelo Banco Central, em vez de novas operações, em junho, foi registrada uma queda de 7,6% na concessão de crédito para pessoas físicas. "A demanda por crédito está menor. As pessoas estão aproveitando recursos extra como o do FGTS ou do IR para pagar dívidas", avalia o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. "Com a retração na demanda, o spread não acompanhou a alta na captação", completou, se referindo à diferença entre o custo de captação dos bancos e valor cobrado dos clientes. No mês passado, as novas concessões a pessoas físicas, houve um pequeno crescimento de 0,9%, passando de R$ 44,9 bilhões para R$ 45,3 bilhões no período. TaxasOs juros do cheque especial atingiram a taxa de 158,8% ao ano em junho, contra 158,4% ao ano em maio. Apesar dessa taxa acumular uma queda de 1,4% este ano, nos últimos 12 meses ela registrou um aumento de 11,7%. No crédito pessoal, a taxa apurada em junho registrou uma pequena queda em relação ao registrado em maio. A taxa agora está em 80,8% ao ano ante 82% apurado em maio. Para a aquisição de bens houve um ligeiro aumento nas taxas. Os juros cobrados para o financiamento de veículos, por exemplo, passou de 38,9% ao ano para 42,7%. O uso do cheque especial caiu 3,4%, somando R$ 9,105 bilhões em junho. Os gastos com cartões de crédito também se retraíram 1,1%, totalizando no mês R$ 4,161 bilhões. Já o crédito pessoal, que vinha sendo uma opção mais barata para fugir do alto custo do cheque especial, cresceu apenas 0,6% em junho.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 19h38

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