Controladora da Eletropaulo quer ficar no País

Paul T. Hanrahan, presidente e CEO da AES Corporation, controlador da distribuidora AES Eletropaulo, disse, em entrevista exclusiva concedida à Agência Estado, que o grupo pretende permanecer no País, apesar do impasse envolvendo o "default" técnico de duas de suas subsidiárias, a AES Elpa e a Transgás, controladoras da AES Eletropaulo, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)."Há muito mito cercando as negociações com o BNDES", afirmou Hanrahan, em resposta por escrito aos questionamentos feitos pela reportagem. "O fato é que a AES investiu pesadamente no Brasil, nós queremos ficar e queremos renegociar nossos débitos, de forma que nossos negócios possam pagá-los." Hanrahan ressaltou ainda que "a empresa está trabalhando de boa fé para encontrar uma forma de reestruturar os débitos, e um caminho para sair". O presidente e CEO da AES Corp informou ainda que, apesar da decisão do grupo de não realizar novos investimentos no País, a AES Eletropaulo deverá aplicar US$ 50 milhões em sua rede de distribuição em 2003. Ele explicou que a AES Corp. não realizará novos aportes de recursos para o Brasil enquanto o País não tiver um ambiente regulatório estável e o grupo não tiver quitado os débitos recentemente refinanciados. Ele acrescentou que o grupo de bancos credores não recomendou novos investimentos no Brasil.DividendosHanrahan negou que a AES Eletropaulo teria remetido dividendos à matriz em um momento que já enfrentava dificuldades financeiras. Ele lembrou que os US$ 318 milhões de dividendos remetidos, montantes considerados pequenos por ele, são valores dos resultados financeiros de dois anos ? 2000 e 2001. Hanrahan destacou ainda que, desse total, cerca de US$ 217 milhões foram pagos à AES Corp, acionista controlador, e o restante, de US$ 101 milhões, foi distribuído a acionistas minoritários, entre os quais se inclui o governo brasileiro, segundo ele.Ele acrescentou que a AES Eletropaulo não pagou dividendos em 1998, ano em que foi privatizada. Também não o fez em 1999, quando teve lucro, por decisão dos acionistas, "temerosos do impacto que a desvalorização do real poderia ter na saúde financeira da companhia". E que nada mais, em matéria de dividendos, foi distribuído desde o segundo trimestre de 2001, para preservar a liquidez da companhia."É importante compreender que, na época em que esses dividendos foram distribuídos, a situação financeira da Eletropaulo e das entidades controladoras, AES Elpa e AES Transgás, não era frágil", destacou ele. Hanrahan acrescentou que as duas controladoras da AES Eletropaulo mantinham, na época, os seus pagamentos em dia junto ao BNDES e que a distribuição de dividendos foi supervisionada pelas agências reguladoras. "Então, agimos abertamente e de forma justa e adequada", acentuou.Administração temeráriaSobre as acusações de administração temerária na AES Eletropaulo feitas pelo presidente do BNDES, Carlos Lessa, Hanrahan disse que, sobre o comando da AES, a Eletropaulo "é financeiramente estável e a qualidade de suas operações é excelente, superior às exigências das agências regulatórias". Ele disse ainda que "AES e a Eletropaulo são cidadãos corporativos responsáveis do Brasil" e que "nós ficaremos satisfeitos em discutir questões sobre a Eletropaulo e sua gestão diretamente com o senhor Lessa, ou outra autoridade".Questionado se a AES Corp. fez um bom negócio ao investir no Brasil, Hanrahan ressaltou que a companhia norte-americana continua a acreditar em seus investimentos, "mesmo hoje". Ele lembrou que "as coisas eram muito diferentes" em 1997, quando a empresa decidiu investir no Brasil. Na época, lembrou ele, o País havia acabado de dominar um processo de inflação crescente e os prognósticos para a economia eram fortes. O governo brasileiro havia se comprometido em implantar um ambiente regulatório estável. Baseado nesse cenário, a AES Corp. investiu, segundo ele, US$ 4 bilhões no País."Mas as coisas mudaram drasticamente", lembrou ele. O ambiente regulatório estável não se cristalizou e as condições macro-econômicas e setoriais pioraram. O racionamento de energia produziu impactos importantes nas empresas, lembrou ele. "Mas o maior dano foi que as taxas de consumo não foram mais recuperadas, permanecendo nos níveis de 1998", disse ele.

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