Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Controle da demanda é decisivo para conter inflação, diz Iglesias

O controle da demanda na economia será decisivo para que o impacto da alta do dólar sobre os preços dos bens comercializáveis não seja permanente no futuro, afirmou, em entrevista à Agência Estado, o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Roberto Iglesias. Na sua avaliação, a chamada "bolha cambial" que tem contaminado os preços poderá ser estourada por meio de uma política de juros cautelosa e a construção de um cenário de confiança e credibilidade pela equipe econômica do novo governo. "A inflação não está sendo produzida pela demanda, mas pela alta do dólar. Mesmo assim, a maneira de colocar a inflação no eixo é pelo controle da demanda agregada ", disse o secretário.Sem esse controle, a manutenção da alta do dólar em patamares elevados por vários meses este ano pode fazer com o repasse da desvalorização cambial para os preços, que já aconteceu, seja irreversível nos próximos meses. Com menos crédito na economia e a conseqüente redução da demanda, acredita o secretário, reduz-se a chance dos agentes econômicos repassarem os aumentos de custos para os preços se manterem elevados no futuro."Para vender os produtos, eles vão ter que reduzir as margens de lucro", disse. "É preciso evitar que a mudança de preços relativos, provocada pela alta do dólar, que é transitória, se torne um movimento permanente de inflação", acrescentou. O risco hoje, alertou Iglesias, é que "a sensação de que a alta veio para ficar" afete as expectativas de inflação futura.Iglesias afirmou que a demanda na economia brasileira não está fraca, mas em recuperação. Por isso, a necessidade de um cuidado ainda maior com o controle da demanda. Segundo ele, a recente elevação dos juros básicos pelo Banco Central, além de ser um instrumento de controle da demanda agregada na economia, tem um efeito positivo sobre as expectativas futuras. "O aumento dos juros está sinalizando que a autoridade monetária não está disposta a acomodar e aceitar uma inflação maior", justificou. Para Iglesias, no entanto, de nada adianta um BC austero e conservador na política monetária, se não houver confiança no futuro da economia . "É preciso construir esse cenário de credibilidade para ajudar na queda do dólar. Não há outra coisa para o novo governo fazer."

Agencia Estado,

28 de novembro de 2002 | 15h54

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.