Controle das contas externas de países do G-20 seria indicador, e não meta

Os EUA e a Coreia do Sul estão defendem a proposta de limitar os desequilíbrios a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país até 2015

Regina Cardeal, da Agência Estado,

22 de outubro de 2010 | 13h38

Os representantes do Grupo dos 20 (G-20) "receberam bem" a proposta para que os países-membros busquem controlar o tamanho de seus desequilíbrios externos, disse uma fonte ligada a um governo do G-20 à Dow Jones. A disposição no primeiro dos dois dias de reunião dos ministros de Finanças e dirigentes de bancos centrais em Gyeongju, Coreia do Sul, foi largamente positiva em relação à proposta, disse a fonte.

Mas haveria dois importantes condicionantes: 1) a Alemanha teria de ser contada como parte da União Europeia e não como um país individualmente. Embora a Alemanha tenha um grande superávit em conta corrente, a UE como um todo é amplamente equilibrada. 2) Quaisquer objetivos para superávits e déficits na conta corrente teriam de ser considerados como um "indicador", não como uma meta.

Não está claro se o comunicado da reunião que termina amanhã conterá um acordo sobre a questão, uma vez que as autoridades presentes continuam debatendo os termos exatos.

Os EUA e a Coreia do Sul estão defendendo a proposta para que haja um acordo sobre limites específicos para os desequilíbrios dentro do G-20. Eles propuseram limitar os desequilíbrios a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país até 2015, segundo o ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda.

Em carta as suas contrapartes do G-20, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, pediu um aumento na poupança nacional e na competitividade internacional entre os países com déficits, tais como os EUA, e mudanças "nas políticas de câmbio, fiscal e estrutural para estimular as fontes domésticas de crescimento" nos países com grandes superávits externos.

Geithner disse que "algumas exceções podem ser necessárias para países que são estruturalmente grandes exportadores de matérias-primas", uma formulação que, no contexto do G-20, se aplica à Arábia Saudita e, em menor medida, à Rússia. A Arábia Saudita tem o maior superávit em conta corrente do G-20, de 6,1% do PIB. No entanto, os superávits mais polêmicos são aqueles gerados pelos setores manufatureiros da China, Alemanha e Japão. As informações são da Dow Jones.

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