Controle de bancos divide o G-20

UE quer normas rígidas até para remuneração de banqueiros e discorda de reforço de capital proposto pelos EUA

Reuters, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Os ministros de Finanças das 20 maiores economias (G-20), reunidos em Londres, divergiram sobre os meios de evitar que os bancos mergulhem o mundo em outra crise. Enquanto a nova projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra a economia mundial retornando aos trilhos, as autoridades reunidas em Londres estão divididas sobre como garantir que a recuperação seja sustentável e como evitar novos choques no sistema financeiro.

Todos concordam que os pacotes de estímulo econômico devem ser mantidos, por enquanto, mas uma fonte do G-7 (grupo das sete economias mais ricas) disse que França e Alemanha se opuseram ao plano americano para que os bancos detenham mais capital.

Os europeus também querem cortes muito mais rigorosos na remuneração dos executivos e a França está pressionando pela imposição de limites. "A opinião pública na maior parte da Europa, incluindo o Reino Unido, e nos Estados Unidos ficou espantada, horrorizada com o montante das indenizações pagas", disse a ministra de Finanças francesa, Christine Lagarde.

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, pediu que os países exijam reforço de capital aos bancos para afastar o risco de reincidência na concessão dos empréstimos que deflagraram a atual crise. Lagarde respondeu que não entendia a razão para isso.

O ministro Alistair Darling, do Reino Unido, apoia o plano dos EUA, mas admite haver divergências entre os governos. Para ele, o mais importante é que nenhum país está satisfeito com a própria recuperação.

A atual previsão do FMI é que a economia global cairá 1,3% este ano. Antes, previa contração de 1,4%. Para 2010, prevê expansão de 2,9%, ante 2,5% na análise anterior. Mas as autoridades estão cautelosas porque a maioria das grandes economias só espera crescer no próximo ano, com a Alemanha permanecendo em recessão.

"Há o risco de as pessoas dizerem que o trabalho está feito, podemos desacelerar", disse Darling. "Já cometemos esses erros antes, notavelmente na América, nos anos 1930."

CICATRIZES

Mais de dois anos de convulsão financeira vai deixar profundas cicatrizes em muitos países. Com a alta do desemprego e bancos relutantes em emprestar, o crescimento deverá ser tímido por um tempo, pressionando os governos a manter os estímulos.

O que os mercados financeiros querem saber é quando os governos começarão a retirar os trilhões de dólares injetados na economia ou elevar o juro. Até agora, as autoridades estão só dispostos a conversar sobre estratégias, com pouca clareza sobre quando serão aplicadas.

Segundo fontes do G-7, o comunicado do G-20, a ser divulgado hoje, deverá manter a promessa de continuidade das políticas de apoio pelo tempo que for necessário.

"Reduzir os estímulos muito cedo incorre no risco real de descarrilar a recuperação, com implicações potencialmente significativas para o crescimento e o desemprego", disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em Berlim.

Geithner quer um acordo global até o fim de 2010, com os padrões entrando em vigor no fim de 2012.

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