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Controle de preço de commodities não avança

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, saiu do encontro de ministros do G-20 satisfeito com o documento final, em especial com os indicadores escolhidos para avaliar desequilíbrios.

, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

"O Brasil não cedeu em nada. Tudo que está aí interessa ao Brasil", garantiu, citando contas externas e taxas de câmbio como dois de seus interesses. "Estamos plenamente satisfeitos porque (o G-20) aponta alguns desequilíbrios externos que indicam que existe guerra cambial, que existem países com câmbio mais desvalorizado do que outros."

Descontado o acerto sobre os indicadores de desequilíbrio macroeconômicos, a reunião do G-20 ministerial de Paris teve poucos avanços visíveis.

Em três temas que interessavam diretamente ao Brasil - o enquadramento das políticas nacionais de controle do fluxo de capitais, o acúmulo de reservas internacionais e a regulação do mercado de commodities -, nada foi decidido.

Quanto aos dois primeiros assuntos, fluxos de capitais e reservas, preponderou o veto a qualquer discussão. O bloqueio à discussão já havia sido antecipado pela reunião dos ministros da Economia e autoridades monetárias de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics mais os africanos), na sexta-feira.

Como o G-20 é um fórum de consensos, os temas não avançaram. "Reforcei que cada país deve adotar as suas medidas enquanto não se estabelece um novo sistema de regras", disse Mantega. "Falei que um dos problemas é a existência de regimes de câmbio contraditórios, destoantes, que causam essa questão."

Sem tabelamento. Sobre commodities - pauta que gerou controvérsia entre França e Brasil -, o documento final não traz qualquer referência à administração de preços. O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), órgão que reúne 26 autoridades financeiras internacionais, fará "considerações" sobre "regulação e supervisão" de mercados derivativos de commodities, com o intuito de "aumentar a transparência" e "coibir abusos".

Mantega ficou satisfeito. "A discussão noturna foi commodities e a França colocou uma posição satisfatória, que não era a de exercer algum controle sobre o preço dos commodities, mas apenas tornar transparentes as contas, eventualmente, olhar alguma coisa no mercado de derivativos", disse. "O Brasil se opunha a algum tipo de controle de preços, controle de estoques ou qualquer coisa parecida, e isso não veio."

Outros tópicos, como a reforma do sistema monetário, exigirão novas negociações. Sexta-feira, Mantega chegou a propor a inclusão do real e do yuan chinês em uma cesta de moedas ampliada do Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem hoje só dólar, euro, libra esterlina e iene. A discussão sobre a reforma, porém, também foi adiada.

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