Convergência da inflação à meta seguirá nos próximos meses, afirma Tombini

Presidente do BC garantiu que a inflação do próximo ano ficará menor do que a de 2011

Eduardo Cucolo e Célia Froufe, da Agência Estado,

20 de dezembro de 2011 | 11h40

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que há hoje um processo de convergência da inflação para a meta. A inflação em 12 meses, após alcançar o pico em outubro, está em trajetória de queda, segundo Tombini, e esse processo vai continuar a ser visto nos próximos meses. "Conseguimos convergência da inflação para meta desde maio. E essa convergência prosseguirá nos próximos meses", afirmou.

Tombini garantiu que a inflação do próximo ano ficará menor do que a de 2011 e que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) será maior. "Quero passar duas mensagens: a inflação de 2012 será menor do que a de 2011, e esse processo já se iniciou", disse, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. "E o crescimento econômico em 2012, na visão do BC, será maior que em 2011", continuou.

Tombini explicou que esse cenário é possível em razão dos efeitos defasados e cumulativos das medidas adotadas pelo governo até agora. Segundo ele, algumas medidas, como as do crédito, têm impacto no curto prazo. "Mas medidas no início do ano foram sentidas mais no terceiro trimestre. Primeiro, na economia, e depois, na inflação", observou. "Há efeitos defasados", voltou a enfatizar.

Mostrando otimismo com a reação da economia brasileira, o presidente do BC previu que haverá aceleração do ritmo de expansão ao longo do próximo ano. "A expansão do segundo semestre será maior que a do primeiro de 2012", previu.

Tombini destacou que há uma política macroeconômica consistentemente conduzida no País e que o Brasil conta com um sistema financeiro sólido, o que é importante e o diferencia dos demais países. Ele disse ainda que o governo conseguiu manter e intensificar colchões de liquidez em moeda estrangeira e nacional e tomar ações tempestivas para minimizar impactos da economia internacional sobre o Brasil. "Lidamos, por exemplo, com a discussão dos EUA sobre elevação ou não do teto da dívida", citou.

O presidente do BC falou que os indicadores de dívida externa apresentaram uma melhora significativa. Ele apresentou também outros dados que estariam melhores hoje do que no passado. "Isso nos dá conforto para enfrentar um cenário econômico mais adverso", disse. Tombini disse que o governo brasileiro tem capacidade de refinanciamento. "Este é um problema que está sendo enfrentado com grandes dificuldades no globo."

Redução do spread

Tombini disse também que a redução do spread (diferença entre as taxas dos juros tomados e captados) continuará na agenda da autoridade monetária no próximo ano. "Isso significa custo do crédito ao cidadão, e a preocupação nossa é em cima de uma agenda de redução do spread", disse.

Tombini salientou que, ainda que o foco de 2011 tenha sido estabilidade e combate à inflação dentro de um realinhamento com os impactos externos, 2012 contará com o início do funcionamento do cadastro positivo. "Isso deve se refletir nos custos. Olhando para a frente, a agenda continua", afirmou.

O presidente do Banco Central enfatizou também que não há risco de bolha no mercado de crédito brasileiro. "Temos hoje menos risco de bolha do que tínhamos no início do ano", comparou. 

Câmbio

Tombini disse ainda que o governo não possui meta para o câmbio. No final de semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ao Grupo Estado que o governo não deixaria que o dólar fosse cotado abaixo de R$ 1,60. "Não temos meta, mas preocupação de manter estabilidade financeira", limitou-se a dizer. Isso significa, de acordo com ele, que o intuito é fazer com que câmbio não seja motivo de preocupação em relação à saúde das instituições financeiras e não-financeiras, como já ocorreu no passado.

 

Texto atualizado às 14h33

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