Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Conversas para a venda da Alpargatas avançam

Tarpon pode se juntar com Península, do empresário Abilio Diniz, para fazer oferta; os parceiros Pátria e Blackstone também avaliam o ativo

Mônica Scaramuzzo, Fernando Scheller, Cátia Luz, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2015 | 05h00

As negociações para a venda da Alpargatas, que pertence ao grupo Camargo Corrêa, avançaram, apurou o ‘Estado’ com fontes próximas à operação. As gestoras Tarpon e Península, esta última, do empresário Abilio Diniz, podem se unir para comprar o controle da companhia, de acordo com fontes. Os fundos Pátria e Blackstone, que são parceiros no Brasil, e o inglês Apax Partners também estão entre os interessados no negócio.

A Camargo Correa começou conversas com vários fundos de investimento nos últimos meses. No início de novembro, cerca de dez deles apresentaram ofertas não vinculantes para a compra do controle da Alpargatas, dona da marca Havaianas. Ou seja: demonstraram interesse, mas não se comprometeram a fazer a aquisição. Os fundos americanos de participação em empresas Carlyle, Advent, KKR e H.I.G. estão entre os que olharam o negócio, mas não foram à frente.

Os bancos Bradesco e Goldman Sachs foram contratados para conduzir a operação e avaliar propostas. Nas próximas semanas, as ofertas firmes serão avaliadas. Fontes dizem que pelo menos três propostas devem ser apresentadas – Tarpon/ Península, Pátria/Blackstone e Apax são considerados os favoritos.

Não é a primeira vez que a companhia é colocada à venda. Mas, de acordo com uma pessoa próxima ao grupo, as negociações nunca haviam avançado tanto. Pesa desta vez o fato de a Camargo Corrêa, que começou como construtora em 1939, estar fortemente endividada. Uma das 23 empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás, a Camargo fechou acordo de leniência e pagará R$ 804 milhões aos cofres públicos.

Na Alpargatas, a Camargo Corrêa é a sócia majoritária, com 44,12%. O investidor Silvio Tini de Araújo e sua holding Bonsucex têm, juntos, cerca de 20%, e o restante é negociado no mercado. O Estado apurou que a Bonsucex não pretende se desfazer de suas ações.

“As negociações tiveram um início atabalhoado. Ficaram mais claras quando os bancos assumiram a condução das conversas”, disse uma das fontes interessadas no ativo. O que pesa contra a venda, dizem fontes, é o alto preço cobrado pelo ativo. A companhia quer negociar por um múltiplo de 10 vezes o Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), além de um prêmio de até 50% (por ação). Se considerado o Ebtida de 2014, o múltiplo chegaria a R$ 4,7 bilhões. A companhia é avaliada em R$ 4,5 bilhões, segundo a Economática. 

Além da Alpargatas, o grupo está à procura de investidores para seu negócio de cimento, a InterCement. A empresa também é dona do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que passa por reestruturação, e tem fatias na concessionária CCR e na empresa de energia CPFL. 

Procurados, Alpargatas, Tarpon, Península, Apax e Advent não comentaram. KKR, H.I.G. e Pátria não retornaram os contatos. A Camargo Corrêa, na sexta-feira, disse “não ser possível responder no prazo solicitado.”

Para entender. Apesar de a Havaianas ser considerada uma das poucas marcas brasileiras de alcance global, a atuação da Alpargatas, parte do grupo Camargo Corrêa, vai além do negócio de sandálias, que também inclui a linha popular Dupé.

Nos últimos anos, a Alpargatas está tentando se desvincular da imagem de calçadista para se tornar uma empresa de moda, com forte presença no varejo. A Havaianas tem as lojas especializadas em chinelos, mas também vende sua própria linha de roupas – ligada à moda praia – em algumas unidades.

A companhia também é dona da grife carioca Osklen, marca fundada pelo médico e estilista Oskar Metsavaht. Como o valor médio de compras da Osklen é alto e a marca tem forte apelo internacional, a aquisição foi vista como uma forma de o grupo começar a colocar os pés no setor de luxo acessível.

Há duas semanas, a empresa se desfez das marcas Topper e Rainha, que andavam meio esquecidas no Brasil e tinham baixa rentabilidade. Os ativos foram vendidos ao empresário Carlos Wizard Martins por R$ 48 milhões.

Tudo o que sabemos sobre:
AlpargatasAbilio Diniz

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.