Convidado de honra, Palocci ouve críticas de empresários

A presença do ministro Antonio Palocci como convidado de honra da cerimônia de premiação de "Melhores e Maiores de Exame", ontem à noite, não foi suficiente para conter a insatisfação dos empresários com o governo. Ao contrário, desde o primeiro discurso da noite, a cargo do anfitrião Roberto Civita, da Abril, já se pôde perceber o clima de poucos amigos da cerimônia.O empresário tocou sem rodeios na ferida da crise política. Disse que contra a corrupção que "infesta o País" desde sempre é necessário que se faça a reforma política. "A legislação partidária é o caldo da cultura de corrupção no Brasil", disse. Civita afirmou que "mesmo que o Congresso não tenha apetite para reformar as leis que regem a política partidária, o governo poderia se empenhar, depois da faxina (das CPIs), em fazer o Brasil crescer de forma sustentada."Ao longo de toda a cerimônia, no intervalo entre as premiações, os dois telões do salão do Clube Monte Líbano, onde aconteceu o evento, mostraram depoimentos de empresários renomados, todos criticando indiretamente o governo. Jorge Gerdau, do Grupo Gerdau; Roberto Giannetti da Fonseca, da Silex Trading; e Afonso Antonio Hennel, da Semp Toshiba, entre outros, atacaram a logística brasileira, a carga tributária, a falta de velocidade das reformas, o crédito reduzido, a burocracia e a alta informalidade, por exemplo.Palocci teve a última palavra da noite e tentou rebater os ataques com dados sobre o desempenho da economia no governo Lula. O ministro esteve o tempo todo acompanhado do presidente do BNDES, Guido Mantega."O sistema imunológico do Brasil está muito mais fortalecido"Sem mencionar diretamente a crise política, Palocci disse que as condições para o desenvolvimento do País estão dadas. "A nossa história de instabilidade definitivamente acabou. Os movimentos de idas e vindas ficaram para trás. Costumo dizer que o sistema imunológico do Brasil está muito mais fortalecido, e ganhamos tecido muscular para fazer frente com muito mais tranqüilidade às oscilações da economia internacional ou de outras frentes", disse.Para os empresários presentes, as palavras "outra frente" soaram como mais uma tentativa de reiterar que a economia está sólida o suficiente para resistir à crise política.O ministro citou os números de contas externas, queda na relação dívida/PIB, déficit nominal, o controle e a redução da inflação, os avanços promovidos pelas reformas constitucionais e os estímulos aos investimentos para dizer que a economia está sólida e vivendo um novo momento de crescimento.Palocci ressaltou que a solidez macroeconômica e as reformas são os princípios básicos da política econômica do Brasil e que elas garantem o crescimento com estabilidade que o Brasil buscava há tanto tempo.Política fiscal Em seu discurso, o ministro tocou em uma questão que soa como música para o ouvido dos empresários. Ao citar o recuo do déficit nominal dos 10% em 2002 para 2% do PIB nos últimos 12 meses, ele afirmou que esse desempenho abre espaço para importantes avanços na gestão das contas públicas. Isso significa, explicou, que o País está maduro para, sem descuidar do curto prazo, discutir as bases de uma política fiscal para o longo prazo, que envolva pelo menos os próximos dez anos. "O governo está ciente de que é imprescindível reduzir os custos dos tributos para a sociedade", ressaltou, exemplificando os benefícios concedidos pela MP do Bem ao setor industrial.O ministro também disse que o governo reconhece o papel vital do setor privado no aumento contínuo das exportações, com a exploração de novos mercados e investimentos em competitividade. "O aumento das exportações tem sido fundamental para a melhora dos indicadores de solidez da economia brasileira", afirmou."Confiança no futuro"O ministro ressaltou, por último, que a profunda transformação sofrida pela economia brasileira nos últimos anos ainda não se esgotou. "O crescimento de longo prazo requer confiança no futuro e regras adequadas para estimular aumento da produtividade, do investimento e do emprego de boa qualidade", destacou.Por fim, Palocci afirmou que o governo confia que, com o espírito empreendedor de todo o empresariado brasileiro, será possível ampliar os investimentos necessários à infra-estrutura e à modernização da capacidade produtiva do País. "Só assim, poderemos construir uma sociedade mais democrática, mais justa e com renda mais ampla", afirmou.

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