Cooperação entre governo e empresas é caminho para melhorar competitividade do País

No Fórum Estadão Brasil Competitivo, especialistas defendem ações conjuntas entre setores público e privado e a busca por regras mais eficientes

Gabriela Vieira e Francisco Carlos de Assis, Agência Estado

23 de setembro de 2014 | 13h19

A busca por soluções sobre o tema competitividade do Brasil passa pelos setores público e privado. Esse foi um dos tópicos debatidos na manhã desta terça-feira, 23, no "Fórum Estadão Brasil Competitivo - Os caminhos para o Brasil de 2022".

O secretário-executivo do Meio Ambiente, Francisco Gaetani, afirmou que a discussão sobre competitividade não é mais uma conversa sobre "se" e sim sobre "como". "É um debate que se assemelha à maré. Ou mergulhamos todos juntos ou subimos todos juntos com a maré ou não seremos tão competitivos quanto precisamos", disse o secretário, que no momento assume o Ministério do Meio Ambiente como ministro interino.

Gaetani destacou o fato de raramente o debate sobre competitividade tocar no governo apenas como fator de empecilho, enquanto o melhor seria pensar em ações conjuntas entre setores público e privado. "Os países competitivos, todos possuem governos fortes. Não são governos grandes, são governo ativos e que atuam no desenvolvimento do mercado, na criação das condições do desenvolvimento social e dão suporte claramente ao setor privado", observou Gaetani. "Não é à toa que as concessões começaram a ser disseminadas recentemente depois de muito anos ter sido visto com desconfiança. Vários estudos feitos pelos setor público foram patrocinados pelo setor privado porque o governo não tinha a expertise para fazer estas análises, disse.

O diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Alberto Pires, afirmou que a construção de um novo modelo de governança para o Brasil demanda a cooperação entre as esferas do governo - executivo, legislativo e judiciário - e o setor privado. “Estamos ciente de que o empresariado precisa participar desse processo", disse.

José Augusto Fernandes, diretor de políticas e estratégia da CNI, defendeu a necessidade de se combater a ineficiência fiscal. Para isso, uma prioridade seria melhorar a qualidade regulatória. Na opinião do especialista, um sistema de regulação nacional deve estar atrelado a um conjunto de regras simples, que permita uma fácil e rápida fiscalização. Ainda segundo ele, se for prioridade do governo, o planejamento regulatório pode reduzir a burocracia do País.

Sobre a relação entre público e privado, o diretor vice-presidente do Insper, Marcos Lisboa, criticou a política do governo de escolher setores da economia para receber estímulos do Estado. "Ao proteger um setor, o governo desprotege outro setor", afirmou. Ele citou como exemplo a questão dos juros no Brasil. Segundo o economista, fala-se muito que os juros no Brasil são altos, o que na visão dele é discutível porque há no Brasil os que pagam juros altos e que subsidiam os que pagam juros muito baixos.

Para o economista, políticas públicas precisam ter protocolos de intenção e fiscalização de desempenho. "Precisamos adotar práticas do setor privado nas políticas públicas", disse Lisboa, acrescentando que no setor privado projetos e políticas que não dão certos são abortados.

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