Cooperativas buscam excelência na produção de grãos no Paraná

Com ajuda das pequenas propriedades, Estado produz 31,3 milhões de toneladas de grãos e volta à liderança nacional

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

O Paraná deve retomar na safra 2009/2010 a liderança nacional na produção de grãos, com previsão de colher 31,3 milhões de toneladas, o que representa 21% da safra brasileira. O Estado tinha perdido o posto na safra anterior para Mato Grosso.

Porém, produtores e autoridades paranaenses sabem que a liderança é passageira, já que há pouca área de expansão no Estado. Por isso, procuram cada vez mais melhorar a produtividade, diversificar as culturas e agregar valores, o que é favorecido em um Estado que privilegiou o sistema cooperativo de produção.

"A liderança não é hoje um fator preponderante para nós", diz o diretor-geral do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Paraná, Francisco Simioni. "A preocupação maior é levar pesquisa, assistência técnica adequada e crédito em quantidade e na oportunidade corretas."

Segundo ele, a presença do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e de várias cooperativas dá "vantagem comparativa" em relação a Mato Grosso.

A perda temporária da liderança na produção de grãos na safra 2008/2009 teve forte componente climático. Com chuvas abaixo do normal, mal distribuídas e frio, o Brasil teve quebra de 9 milhões de toneladas. Pelo menos 7,5 milhões foram no Paraná.

Porém, na safra atual, tudo conspirou a favor dos produtores paranaenses. No caso da soja, chegou-se a uma média de 3,4 quilos por hectare e, no milho, de 7,7 mil quilos por hectare.

Essa conjunção de fatores compensou até mesmo a redução de área em algumas culturas, como o feijão, que perdeu 18%, a primeira safra de milho com menos 19% e a segunda, que teve diminuição de 15%. Para a soja, os produtores destinaram 11% a mais de terra.

Segundo o professor universitário, Eugênio Stefanello. o Estado tem possibilidade de expandir a área de agricultura em cerca de 500 mil hectares, avançando na região do arenito Caiuá, no noroeste, onde prevalece a pecuária. "Já estamos no limite de expansão, por isso daqui para frente Mato Grosso vai superar o Paraná. Mas ainda podemos aumentar muito a produtividade."

Nesse contexto, as cooperativas, cuja história começou na década de 50 no Paraná, exercem grande influência. "Entre 60% e 70% da produção do Estado passa por suas esteiras", salientou Simioni. "Elas atuam na comercialização, armazenagem e escoamento da produção, o que influencia na renda do produtor."

Historicamente, as grandes propriedades vêm sendo divididas pelos patriarcas entre os descendentes, numa espécie de "reforma agrária privada". De acordo com a Secretaria da Agricultura, o Paraná tem hoje 374 mil estabelecimentos rurais, com área média de 60 a 70 hectares.

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