Bruno Kelly/ Reuters
Bruno Kelly/ Reuters

Copa do Mundo de 2018 deve dar impulso menor na economia, diz CNC

Entidade comercial estima que consumo das famílias relacionado ao mundial de futebol será menor neste ano devido a cenário de incertezas e desemprego elevado

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 13h05

RIO - A Copa do Mundo de 2018 deve estimular menos o varejo brasileiro do que a edição anterior. Em meio a um cenário de incertezas e de desemprego elevado, as famílias brasileiras estão menos propensas ao consumo de itens relacionados ao mundial de futebol, segundo um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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O levantamento, conduzido em todas as capitais e respectivas regiões metropolitanas do País, revela que 24,0% das famílias brasileiras estão dispostas a comprar produtos por conta da Copa, o que representa menos da metade da intenção de gastos relatada antes da realização do mundial de futebol de 2014, quando 50,1% das pessoas previam gastos estimulados pela competição.

A CNC explica que o envolvimento da população era naturalmente maior em 2014 pelo fato de o Brasil ter sediado a Copa daquele ano, mas também pesaram em 2018 as condições de consumo menos favoráveis do que há quatro anos.

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"A recuperação da economia e do consumo segue lenta e sujeita a oscilações. No trimestre encerrado em abril de 2014, por exemplo, a taxa de desemprego no Brasil era de 7,1% da população economicamente ativa, contra os 12,9%, recentemente divulgados através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Igualmente, a taxa média de juros cobrada dos consumidores na concessão de crédito, atualmente em 55,0% ao ano, era de menos de 47,9% às vésperas do Mundial realizado no Brasil", justificou a CNC, em nota.

A pesquisa ouviu cerca de 18 mil consumidores. Os produtos mais procurados este ano devem ser alimentos e bebidas (citados por 9,9% das famílias entrevistadas), itens de vestuário masculino, feminino e infantil (mencionados por 7,5%) e aparelhos televisores (lembrados por 4,3%). Em todos os casos, porém, as intenções atuais de gastos foram menores do que as relatadas na Copa passada: 21,5%, 14,3% e 13,3%, respectivamente.

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Os itens alimentos e bebidas foram mais mencionados em São Luís (citados por 30,7% dos entrevistados), enquanto os consumidores de Boa Vista foram os mais propensos a consumir itens de vestuário (23,3%). Manaus liderou as intenções de consumo de televisores (12,6%).

Mais da metade (51,6%) dos que pretendem consumir deve gastar pelo menos R$ 200,00. Outros 39,2% dos consumidores declararam intenção de consumir mais de R$ 300,00 com itens relacionados à Copa. 

Segundo 63,6% dos entrevistados, os gastos serão pagos à vista, sendo ainda mais frequentes entre os consumidores da faixa de renda mais elevada (70,9%). Curitiba (83,0%), Boa Vista (72,9%) e São Paulo (72,1%) destacaram-se das demais áreas na incidência de pagamentos à vista.

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