Copa do Mundo salva produção da indústria de televisores e bebidas

Eletrodomésticos da linha marrom, que incluem os aparelhos de televisão, registraram aumento da produção de 20,9% em abril

Daniela Amorim, Agência Estado

04 de junho de 2014 | 10h45

RIO - A Copa do Mundo salvou pelo menos dois segmentos das perdas generalizadas verificadas pela indústria nos últimos meses. A expectativa pelo mundial de futebol aumentou a fabricação de televisões e bebidas, num momento em que a produção industrial nacional amarga uma retração de 5,8% em abril, em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O evento em si justificaria a maior produção em função da expectativa de consumo um pouco maior nesse período", explicou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Os eletrodomésticos da linha marrom, que incluem os aparelhos de televisão, registraram aumento de 20,9% na produção em abril, em relação ao mesmo mês de 2013. Foi o único destaque positivo na categoria de bens duráveis, que teve recuo de 12% no mesmo período.

"Aqui, nitidamente a alta da linha marrom é puxada pela produção de TVs. O fator Copa do Mundo é preponderante para explicar essa expansão. Não tem como dissociar uma coisa da outra", afirmou Macedo. 

No caso de bens de consumo semi e não duráveis, que tiveram retração de 3,9% em abril ante abril do ano passado, a fabricação de bebidas subiu 2,5%. 

"Cerveja, chope e refrigerantes estão impulsionando o resultado, o que tem relação com o evento. É um setor que vinha com comportamento predominantemente negativo, com impostos encarecendo o bem final. Então o setor trabalha mais com a expectativa de um aumento na demanda por conta do evento do que propriamente um aumento do consumo", declarou o gerente da pesquisa.

No ano, o aumento na produção de bebidas alcoólicas foi de 3,6%, enquanto que a fabricação de não alcoólicos expandiu 0,3%. "Ou seja, claramente aqui, são a cerveja e o chope que estão com maior pressão", disse Macedo.

Já o grupamento de eletrodomésticos da linha marrom, encabeçado pelos aparelhos de televisão (que respondem por 70% do grupo), deu um salto na produção de 42,7% de janeiro a abril deste ano.

"É muito mais a expectativa que se tem de um consumo maior que fez com que a indústria investisse numa produção para atender a essa demanda maior", contou o gerente. 

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