Copa e eleições devem favorecer varejo, prevê Fecomercio

Este deve ser um bom ano para o comércio varejista. Esta é a avaliação da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), com base nos dados do comércio varejista para o mês de janeiro, divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a Federação, o cenário favorável no início do ano deve se repetir ao longo dos próximos meses, dado que existe a perspectiva de estabilidade da economia e dados pontuais, como a Copa do Mundo. "Este vai ser um bom ano", disse o diretor-executivo da entidade, Antonio Carlos Borges.Os dados do IBGE trouxeram um aumento de 2,35% nas vendas do comércio varejista em janeiro, na comparação com dezembro do ano passado e já desconsiderado o impacto sazonal (efeitos específicos desta época do ano). Em relação a janeiro de 2005, a alta registrada pelo indicador chega a 6,54%.A Fecomercio-SP trabalha com critérios diferentes para medir o comércio varejista e desconsidera, por exemplo, áreas como equipamentos de escritório e jornais, revistas e papelaria. Os dados da entidade, divulgados no início deste mês, mostraram um avanço de 4,9% nas vendas da Grande São Paulo para o mês de janeiro, sobre o mesmo mês de 2005. Mas, segundo Borges, os números têm apresentado uma evolução semelhante à observada pelo IBGE.Copa e eleiçõesPara o diretor da Fecomercio-SP, a expectativa é de que a confiança do consumidor permaneça em alta nos próximos meses. A Copa do Mundo, segundo ele, também deve influenciar significativamente o comportamento de compra dos consumidores, uma tendência que será inclusive tema de um estudo mais aprofundado por parte da entidade este ano. "Queremos medir isso", disse o executivo.Em relação ao impacto que a corrida eleitoral poderá ter sobre o comércio varejista, o executivo lembrou que há uma expectativa de continuidade da política econômica, independentemente de a eleição ser vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou pelo governador paulista, Geraldo Alckmin. Lula, segundo ele, já mostrou um compromisso com a estabilidade da política econômica. Alckmin, por sua vez, apresenta uma rejeição muita baixa junto ao eleitorado e possui um perfil moderado em relação a este tema. Além disso, Borges acredita que haverá inclusive um impacto positivo nas vendas de propostas e medidas adotadas pelo governo federal em meio à corrida presidencial.Motor de crescimentoO diretor da Fecomercio-SP disse ainda que o principal motor do crescimento deste ano ficará por conta de segmentos de consumo geralmente suscetíveis à conjuntura nacional, como é o caso de supermercados e alimentos. "Este grupo deverá ter um avanço significativo", disse o executivo, apontando como principais fatores desse crescimento o fortalecimento da renda e a manutenção da confiança dos consumidores. Essa área, segundo ele, deverá compensar o avanço menor esperado para o setor de eletroeletrônicos, que, segundo Borges, já encerrou um ciclo de forte crescimento no ano passado, estimulado principalmente pela elevada oferta de crédito.Os dados da Fecomercio-SP mostraram um crescimento de 20,4% nas vendas do grupo de Supermercados e Hipermercados na Grande São Paulo em janeiro deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apesar da diferença de critérios, os números do IBGE ajudam a confirmar essa tendência, já que o principal crescimento das vendas em janeiro ficou por conta do grupo Hipermercados, Supermercados, Alimentos, Bebidas e Fumo. Nesse caso, o instituto registrou um aumento de 5,97% na comparação com o mês anterior.

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