Copa pode garantir lucro para 300 mil empresas O outro lado da escassez de crédito

Turismo é um dos segmentos com chances para os pequenos negócios, afinal, estrangeiros gastarão em média R$ 11 mil no País

O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h06

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EDITORIAL

A deterioração do quadro econômico mundial não afetou a demanda por crédito pelas micro e pequenas empresas, menos vulneráveis às turbulências internacionais e às oscilações do câmbio do que as médias e grandes companhias. Em agosto, as empresas de menor porte lideraram a demanda por crédito, com aumento de 6,6% em relação a julho. Já a demanda das médias e grandes empresas diminuiu, respectivamente, 1,8% e 0,9%, pois muitas delas obtêm boa parte de seu faturamento com o comércio exterior.

A diferença de comportamento decorre da conjuntura. Em quaisquer circunstâncias, a disponibilidade de crédito e o acesso a ele continuam sendo indispensáveis para a sobrevivência e o crescimento de todas as empresas. Mas não tem sido fácil para as pequenas e médias contratar um empréstimo. A exigência de garantias às vezes excessivas, os obstáculos para a obtenção da documentação necessária para a celebração do contrato, o alto custo de algumas operações estão entre os problemas citados com mais frequência por elas.

No entanto, essa questão tem outro lado, para o qual as empresas deveriam dedicar mais atenção. Trata-se da oferta de linhas de créditos específicas para as empresas pequenas e médias, mas que não têm sido utilizadas adequadamente, por desconhecimento dos potenciais interessados ou por seus próprios problemas administrativos, que em geral podem ser resolvidos sem grandes dificuldades.

Há alguns meses, a Agência de Fomento Paulista - a Nossa Caixa Desenvolvimento - duplicou (para dez anos) o prazo máximo de financiamento para pequenas e médias empresas, com faturamento entre R$ 240 mil e R$ 100 milhões anuais. Mas nem todos os interessados tiveram acesso a essa linha por não apresentarem a documentação exigida. São exigências exatamente iguais às feitas por qualquer instituição financeira, ou seja, que as empresas deveriam atender sem dificuldades.

A Agência dispõe também de uma linha de R$ 800 milhões para a substituição de frotas movidas a combustível fóssil por frotas que utilizem fontes renováveis de energia. É o que a agência chama de 'linha verde', criada para estimular as transportadoras pequenas e médias a adotar o conceito de sustentabilidade e auferir no futuro o retorno dessa decisão. A linha oferece prazos de até 10 anos e juros de 6,02% ao ano mais a variação do IPC-Fipe. Mas a demanda tem sido menor do que a esperada. É um sinal de que as empresas aptas a obter esse financiamento ainda não se interessaram o suficiente pela sustentabilidade e pelo futuro e continuam a basear suas decisões na busca de resultados imediatos.

Faltam pouco menos de mil dias para o início da Copa do Mundo no Brasil, mas o evento preenche desde já a rotina das pequenas e microempresas paulistas. E o tema ganhou ainda mais espaço neste mês, com a divulgação de estudo que identificou mais de 456 oportunidades para os pequenos negócios localizados no Estado de São Paulo.

Organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Sebrae, o recente levantamento garante que cerca de 300 mil empresas de micro e pequeno porte podem lucrar com o evento esportivo - mais de 100 mil apenas na capital. Juntas, elas devem movimentar, segundo estimativas, cerca de R$ 10 bilhões em negócios.

Na capital paulista, aliás, os empreendedores devem dedicar especial atenção ao bairro de Itaquera, na Zona Leste, onde será erguido o estádio corintiano.

"No entorno do estádio existirá forte demanda para a venda de bens e serviços", afirmou Luiz Barretto, presidente do Sebrae, durante a divulgação do estudo.

As 456 oportunidades de negócios estão espalhadas em sete segmentos diferentes da economia. Entre eles, como não poderia deixar de ser, estão chances para empresas que atuam no setor turístico.

É importante lembrar que o Ministério do Turismo, recentemente, divulgou o perfil dos estrangeiros que visitarão o País durante o mundial de futebol. Os turistas serão homens europeus ou norte-americanos, solteiros, com curso superior completo e idades entre 25 e 34 anos.

A levantamento constatou, ainda, que os turistas deverão gastar em torno de R$ 11,4 mil durante o evento. Uma grande oportunidade para os pequenos empreendedores.

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