Copa tira R$ 1,5 bi de vendas do comércio

Estimativa da CNC considera efeito em junho e julho desde 2002, sem feriados

Márcia De Chiara e Cleide Silva, de O Estado de S.Paulo,

19 de maio de 2014 | 21h42

SÃO PAULO - Faltando menos de um mês para o início da Copa do Mundo, o comércio varejista vê um cenário de redução de vendas nos dias de jogos por causa dos inúmeros feriados, especialmente o do jogo de estreia do Brasil no evento, em 12 de junho, que coincide com o Dia dos Namorados.

Um levantamento preliminar feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), desde a Copa de 2002, mostra que as vendas do comércio varejista restrito normalmente diminuem 0,7% no bimestre de Copa em relação a anos normais. Nas contas do economista da CNC, Fabio Bentes, levando-se em conta essa premissa, o varejo nacional deixará de faturar R$ 1,5 bilhão em junho e julho deste ano. O varejo restrito não abrange as vendas de veículos e de materiais de construção.

Segundo Bentes, trata-se de uma projeção conservadora, pois não considera o efeito dos feriados nos dias de jogos. Nos dias de feriado, as lojas que optam por não abrir deixam de faturar. Por outro lado, aquelas que decidem abrir as portas têm suas margens de lucro pressionadas porque arcam com despesas trabalhistas em dobro, entre salários e encargos.

"Em 2014, a decretação de feriados em diversas cidades durante os jogos poderá agravar o resultado do setor no sentido de que a hora trabalhada deve ser paga em dobro. Assim, além do impacto sobre as vendas decorrente da menor movimentação durante os jogos, os varejistas teriam como opção fechar os estabelecimentos ou abri-los sujeitos a custos maiores e vendas mais fracas."

Já o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Altamiro Carvalho, fez a conta de quanto o feriado reduz a venda diária do varejo. "Nos dias de jogos que forem feriados se perdem, no mínimo, 5% da venda diária: são R$ 205 milhões a menos. É uma perda irrecuperável", diz. Nessa estimativa ele considerou que parte dos estabelecimentos fecham, metade das pessoas antecipam compras e a outra metade deixa de consumir.

Indústria. Com estoques altos, boa parte da indústria não teme impactos importantes na produção por causa de paradas na Copa. Recente pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que 52,3% das empresas esperam reflexo pequeno nos custos causados por paralisações nos dias de jogos e 12,4% não preveem nenhum impacto. Já 27,1% trabalham com possibilidade de grande impacto. Foram ouvidas 587 indústrias.

Para 72% das empresas, o reflexo no faturamento será pequeno ou negativo e 13,7% acham que não haverá impacto. "Quando as paradas são programadas, normalmente os impactos não são significativos, pois é possível, por exemplo, compensar antes ou depois", afirma Guilherme Renato Caldo Moreira, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp.

Moreira ressalta ainda que boa parte das indústrias tem estoques altos "e a situação não é das melhores". Várias empresas do setor automobilístico, por exemplo, devem dispensar os trabalhadores no período dos jogos. A General Motors, por exemplo, deve dispensar os funcionários da fábrica de São Caetano do Sul (SP) e a Ford dará ferias coletivas de 9 a 24 de junho na unidade da Bahia.

A pesquisa da Fiesp foi realizada no fim de março, quando ainda não havia decisão sobre o feriado do dia 12, data da abertura da Copa e do único jogo do Brasil em São Paulo.

Em razão disso, 44% das empresas consultadas informaram na ocasião que ainda não tinham planejamento para suas operações. Outras 8,5% informaram que vão parar e não pretendem compensar as horas paradas e 10,7% disseram que vão operar normalmente.

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